Kindle Blog Brasil

15/07/2011

Agora passo a contribuir também no Kindle Blog Brasil.

Você Pode ver vinha primeira postagem aqui.

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Contos da Borda do Rio

04/07/2011

Bom acabei de publicar um livro pelo Bookess.

O livro chama-se “Contos da Borda do Rio” e contém os contos que eu já postei aqui.

Valeu

Pedras na Água

29/06/2011

 O menino atirava pedras na água. Seus olhos pequeninos acompanhavam as oscilações circulares que se desenhavam na superfície, perguntava-se se as ondas que criava causavam impacto no fundo invisível do lago.

A mãe chama, o almoço está servido. Pequenas pernas corem em busca de abrigo materno. Comida de mãe tem gosto bom.

Os pezinhos balançam na cadeira, o garfo espeta os pedaços de carne previamente picados – Mãe, o pai chega hoje?

Adalberto. O nome dele pulula na mente daquela mulher, a jovem que aparenta ser velha engole seco, enxuga as mãos no pano de prato, manda o menino não falar de boca cheia.

Mais tarde a roupa suja. Roupas de madame lavadas no lago pra afastar a miséria e o pensamento ruim.

Jurema tá sempre rindo, cantando músicas tristes e rindo, do que ela ri? Melhor deixar isso de lado, o que enche barriga é roupa limpa não curiosidade besta.

A mulher segue em sua lida. As canções da colega lhe apertam o peito, porque? Jurema sempre cantou, a vida sempre foi besta, por que diabos a voz da negra me dói?

Volta o menino, o sorriso inocente da criança denuncia traquinagem, ele para ao lado da mãe e a observa.

Pega uma pedra e a fica jogando entre uma mão e outra, o lago chama a pedra, o seu desejo é voltar a ser construtor de ondas, as lavadeiras ocupam o lago, mãe briga se menino tenta brinca no lago em hora de trabalho.

O magnetismo do lago confronta a força de vontade do pequeno, canto de sereia é forte demais, pedra quer conhecer o mundo submarino.

Água por todo lado, gritaria de lavadeiras, riso de Jurema.

Menino tem de aprender a não aprontar, chinelada como espetáculo público, amargor de vida dirigido a bunda de criança.

A vida pode ser injusta, porque fazer ondas é perigoso? Qual o impacto no fundo do lago?

O serviço segue, por um tempo não se conversa naquele lago, Jurema rompe o silêncio, canto triste pra vida vazia, choro apertado num se agüenta escondido nos olhos.

Ninguém pergunta, todas conhecem, todas sabem a letra daquela canção, compartilham dor, compartilham o lago. Outras lágrimas caem de outros olhos, só Jurema ri.

Mistério de Jurema como rir na canção triste. Termina o trabalho, à noitinha caí. Hora de dar banho no menino.

Anacrônico

20/06/2011

 Venho por esta missiva anunciar a vossa-mercê dos muitos percalços que tem recaído sobre nossa instituição. Os fatos e acontecimentos que irei narrar merecem a mais arguta atenção, pois requerem medidas, deveras, urgentes.

Acontece que no dia 23 de agosto de 2588, chegou a nossa base um forasteiro, aparentemente perdido.

O sujeito parecia não ter memória, ou quaisquer antecedentes que pudessem revelar sua história ou suas intenções. A sua identificação pessoal estava avariada não permitindo a correta leitura por nossos instrumentos legais.

Acabamos por nos referir ao cavalheiro como TPX161-05, sendo esta a inscrição da ocorrência em nossos registros.

O indivíduo foi encaminhado para a unidade de tratamento de distúrbios psico-comportamentais, onde foram feitos todos os exames comuns a este quadro clínico, marcou-se sessões de eletro-choque e o paciente ficaria aos cuidados da enfermeira-padrão181.

No primeiro pernoite, tiveram início os eventos que fazem este caso singular e merecedor de especial assistência.

Enquanto faziam a vigília noturna, os equipamentos dispararam, verificando-se perigosas oscilações, ao contrário do esperado notou-se forte atividade psíquica durante todo o período inconsciente do indivíduo.

Ao ser questionado TPX161-05, narrou-nos estranhas imagens ilógicas, que formavam um relato impossível. Os psico-diagnósticos não acusavam tal feito a alguma patologia registrada. Uma pesquisa fora encomendada aos medi-registrólogos 1 e 2. que deveriam verificar a possibilidade de casos análogos em outras instituições dentro das quatro grandes áreas de referência global.

O paciente voltou a ser posto aos cuidados da enfermeira-padrão181 que deveria encaminhá-lo a primeira sessão de eletro-choque. A profissional apontou em seu relatório diário que TPX161-05 estranhamente a abordou questionando-lhe sobre seu nome. O fato mostra-se ainda mais curioso se observarmos que pela constituição física do paciente, este não poderia ter sido gerado antes do decreto 59868/2522 que extinguiu tal referências pessoais em favor do sistema de registro geral.

Durante a sessão tudo corria com normalidade, o estranho reagia com contrações e espasmos naturais a este procedimento, também verificou-se os brados que naturalmente acompanham as descargas elétricas, a certa altura instalou-se um silêncio e mesmo após o aumento da carga o paciente manteve-se calado. Ao observarmos as ondas neurais verificou-se forte atividade, apesar do desfalecimento de TPX161-05.

Este fenômeno se repetiu nas três sessões seguintes, quando resolvemos abortar os eletros-choque até conseguirmos mais informações.

Continuou-se a forte atividade psíquica noturna, e apesar dos esforços da enfermeira-padrão 181 o sujeito continuava a abordá-la com questões absurdas.

Após um período de duas semanas sem grandes avanços, a enfermeira-padrão 181 parou de relatar sobre os questionamentos e começou a ter comportamentos atípicos, verificou-se que ela passava mais tempo com TPX161-05 do que o recomendado em sua ronda diária.

Então decidiu-se afastá-la do indivíduo, estranhamente ela desenvolveu secreções lacrimosas ao ser informada sobre as novas medidas e nesta noite ela passou a ter as mesmas atividades psíquicas noturnas de TPX161-05.

Os dois foram encaminhados para a quarentena em cabines individuais e estão à espera de novas medidas.

Os relatórios dos medi-registrólogos nos apontaram um caso similar em uma unidade da instituição na zona 25 da Área segunda de referência global. Lá o caso terminou com a total eliminação de cinco indivíduos entre eles o paciente local que possuía o registro geral arquivista-documental 3598. Não foi verificado a origem do distúrbio mas o diagnóstico apontou o caso como disfunção Onírica.

Devemos lembrar que qualquer atividade onírica foi suspensa a mais de 200 anos, tornando o caso realmente perigoso para a manutenção da nossa sociedade modelo.

Em vista de tais ocorrências espero uma visita oficial técnica, bem como uma posição do ministério sobre quais medidas devem ser tomadas.

Diretor-biopadrão 57.

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O assessor-ministerial DS-12 estava fazendo movimentos circulares com o polegar sobre o indicador na mão direita, hábito que há muito adquirirá, mas só se permitia fazer em momentos de alta tensão ou exacerbada distração. No momento ele estava dirigindo-se ao portal da instituição para investigar o caso singular relatado ao ministério, mas ao contrário do esperado o caso não lhe despertava curiosidade, somente fastio e um certo asco, se bem que em níveis mínimos, por aquela região tão distante do centro de referência ministerial onde o assessor vivia sua rotina.

O homem de estatura mediana, embora um pouco atarracado, e quase sem pescoço tinha hábitos modestos. Gostava, por exemplo, de conferir a organização dos registros de sua unidade e tinha especial prazer em corrigir falhas de nomenclatura, falhas que ele considerava ultrajantemente perigosas.

Com tais hábitos bem enraizados era de se supor que uma viagem investigativa como essa, lhe causasse desgosto, justamente pelo seu caráter de ineditismo.

Ao atravessar o portal o assessor-ministerial DS-12 foi recebido pessoalmente pelo diretor-biopadrão 57. Este parecia aliviado com a presença oficial, e logo após os comprimentos apresou-se em dizer que a situação havia se agravado.

Os dois seguiram para a seção correspondente enquanto o responsável local ia relatando as novidades do caso.

Naquele dia o assessor-ministerial apenas checaria toda a documentação e ficaria a par de todas as minúcias, no dia seguinte se daria a entrevista com TPX 161-05.

O homem do ministério estava sentado, conferido sua anotações, enquanto o alvo de seu estudo o seguia com os olhos. TPX 161-05, estava acomodado sobre a pequena cama de sua cabine de contenção aguardando o sujeito se manifestar, para ele era somente mais um dos incontáveis procedimento a que fora submetido, e por mais que julgasse a sua situação difícil, estas últimas semanas em que ficara só e confinado foram, para ele, as mais “agradáveis”, como não recordava-se do passado começou a criar uma história pra si mesmo.

– Senhor TPX 161-05 – Disse o assessor-ministerial.

– Me chame de Bernardo – Respondeu o paciente.

– Creio que isso não seja adequado – Olhou censurando – O senhor alega não se recordar de nada antes de sua entrada na instituição?

– Só lembro de acordar aqui com uma dor de cabeça enorme.

– Lembra-se de tudo que ocorreu por aqui, desde que chegaste?

– Não há muito o que lembrar, os dias aqui são todos iguais, testes e mais teste, aquelas sessões de choque – Faz uma pausa, suspira – Depois disso o confinamento.

Durante todo o tempo o oficial media TPX 161-05, vez ou outra fazia alguma anotação, ao ouvir esta última resposta ele deixa os papéis de lado encara-o e diz: – Me fale sobre suas noites, sobre os distúrbios que lhe assolam enquanto dormes.

– Que distúrbios? Eu apenas sonho, durmo e sonho, as vezes são engraçados como a noite em que sonhei que todos aqui só falavam rimando o diretor ainda cantava e dançava.

– O que isto tem de engraçado? Um comportamento como este não seria aceitável no ambiente de trabalho, ainda mais a um homem como o diretor-biopadrão 57.

– Por isso é engraçado.

-Acha que nossas convenções são motivo de piada? Pois saiba que são elas que garantem todo nosso equilíbrio social, antes disto era o caos, guerras, misérias, se não fosse seu problema de memória certamente se recordaria de vossos estudos de história.

– Você estava em meus sonhos, agora eu me lembro, o arquivista que construía montanhas de documentos, as escalava e do alto perguntava “onde estará meu relógio?”, porque diabos você queria um relógio do alto de sua montanha de papéis é algo que eu nunca entendi, você saberia me dizer porque?

O assessor-ministerial parou por um minuto encarando TPX 161-05, depois levantou-se pegou suas anotações e saiu da cabine.

O interrogatório pareceu perda de tempo aos olhos do assessor-ministerial DS-12, o homem com certeza estava fora de seu juízo e deveria ser submetido a uma reeducação formal, o problema se dava com relação aos “sonhos” do paciente, já que o mesmo não deveria tê-los, pois além de constituir contravenção clara ao regulamento a simples existência de tais atividades demonstrava uma falha no sistema de manipulação genética. Segundo os registros do governo já haviam cinco gerações em que o gene do sonho já fora suprimido por completo, tal caso portanto era uma aberração clara a ordem geral.

O próximo passo seria averiguar a situação da enfermeira-padrão 181, observar se a mesma apresentava o mesmo nível de alienação psíquica que TPX 161-05.

Assim que o oficial entrou na cabine da funcionária, a mesma levantou-se rapidamente e se pôs em posição de respeito, isto pareceu um bom sinal aos olhos do assessor, que logo sentou-se na mesma posição e distancia que tivera na entrevista do paciente atípico. Checou suas anotações, vez por outra olhava a enfermeira-padrão que não ousava encarar o homem do ministério.

– Sabe quem eu sou? – ele perguntou com dureza.

– Sim senhor – ela disse com uma voz que parecia lutar para sair.

– Pois bem, então poderia me explicar como atreveu-se a tamanho desvio da norma? Uma senhora que deveria assistir ao paciente em sua recuperação e não incentivar tais atividades ultrajantes.

– Senhor, me perdoe, mas eu poderia lhe fazer uma pergunta?

– Isto não é habitual, mas pergunte.

– Antes de vir conversar comigo o senhor deve ter falado com Bernardo, poderia me dizer se ele está bem?

– Como? Então insiste neste comportamento vergonhoso? O estranho é que antes deste caso a senhora possuía uma ficha exemplar, como pode se perder tão facilmente?

– O senhor já se apaixonou? Já se preocupou com alguém?

– Não queria me rebaixar a níveis tão mundanos, eu me preocupo com o bem comum.

– E como pode ter tanta certeza de que isto – Faz referência ao espaço em volta – É o bem comum, por que acha que assim estamos bem?

– Não se faça de ignorante, sabe tanto quanto eu que em nossa sociedade modelo, não há crimes, nem gerras, ou mesmo infelicidade, não há motivos pra atacarmos o modelo.

– É preciso sentir algo para ser infeliz, e já faz tempo que nenhum de nós sabe o que é isso, Bernardo não é uma anomalia, ele é como uma criança que veio nos ensinar a perder tempo, a rir, a sentir, não percebe o quanto isto é óbvio?

– Enfermeira-padrão 181 queira…

– Clara, é como deve me chamar, não admitirei mais ser definida por uma função, não abro mão de minha individualidade.

– Parece-me então que temos um problema.

– Temos muito mais que um problema.

O comportamento da enfermeira-padrão 181, deixou o assessor-ministerial DS-12 perplexo, uma coisa era um sujeito que aparece do nada com tais desvios de conduta, outra era uma profissional que sempre fora eficiente atacar o que de mais vital representa o bem estar geral, o trabalho seria mais complicado do que pensara.

O oficial trancou-se no gabinete que haviam lhe reservado, e passou a estudar métodos de reeducação comportamental, os modelos apresentados pareciam não se encaixar a esta situação, não havia como comparar adolescentes que falham em seus prazos de estudos com uma situação como esta, ele precisaria de registros mais específicos.

Cansado ele deitou-se no divã que havia no gabinete e adormeceu.

Foi acordado pelo despertador de seu relógio, acordou em um salto e ao desligar o despertador parou um instante observando o aparelho, foi interrompido pela entrada do diretor-biopadrão 57, que buscava informações sobre como deveria proceder.

O assessor-ministerial mandou que se mantivesse o cativeiro por algum tempo ele deveria entrar em contato com o ministério em busca de novos protocolos de reeducação social.

O ministério mandou que ele os mantivesse atualizado sobre o quadro geral enquanto uma equipe especial desenvolveria as possíveis soluções.

Por algum tempo, o assessor só seguiu a instrução, diariamente ele monitorava as ações de TPX 161-05 e da enfermeira-padrão 181, a situação lhe era terrivelmente enfadonha, e manter-se assim tão longe da central fazia-o sentir-se diminuído. Os dias pareciam arrastar-se, e os corredores ascépticamente brancos da instituição começavam a de uma forma estranha lhe oprimir, ele não podia deixar transparecer seu descontentamento, mas sem perceber começara a evitar os corredores, isso o fazia ficar mais tempo monitorando os pacientes.

A monitoração era feita por câmeras secretamente instalada nas cabines individuais, a enfermeira-padrão 181 com certeza sabia de tais dispositivos, mas não tinha como saber em que lugar e sob qual angulo lhe captavam a imagem, pois as câmeras de monitoração podiam se mover e captar a cena de qualquer ponto da cabine, sendo ao mesmo tempo invisível e silenciosa. A sala de monitoração em si possuía uma luz ocre com diversos registros organizados por nome e ordem cronológica e uma das paredes era totalmente tomada pelos monitores de observação, alguns pequenos controles se apresentavam em frente á tela, mas os controles mais usados para navegação ajuste de câmeras eram operados remotamente por um controle que ficava a disposição sobre a poltrona de observação, onde se encontrava o assessor-ministerial DS-12.

Durante muito tempo pareceu que TPX 161-05 não fazia nenhuma ação que pudesse ser considerada estranha, as atividade psíquica noturna continuou claro mas o sujeito passava muito tempo sentado, se alimentava e fazia suas necessidades de forma normal, andava um pouco pelo quarto e nada mais. O tempo parecia congelado. Um dia entretanto depois de horas de observação infrutífera o paciente começou a sorrir e depois gargalhar sem motivo aparente, até que ele soltou a expressão “entendi”.

Após este dia, o paciente começou a agir de forma diferente, fazia movimentos no ar, e parecia maquinar alguma coisa, tudo com uma grande satisfação. O assessor-ministerial ficava cada vez mais perplexo sem contudo descobrir o que se passava com TPX 161-05.

Três dias depois que o movimento começou, a curiosidade do assessor o dominou completamente, não conseguia conter o movimento dos dedos, resolveu ir falar com o paciente.

– O senhor pode me explicar o motivo de tanta agitação? – disse o assessor.

– Olá homem do tempo, você veio para a viagem? – replicou TPX.

– Viagem, o senhor não sairá daqui tão cedo.

– Você não poderia estar mais enganado e lhe digo que dentro de três dias eu você e Clara iremos fazer uma grande viagem.

– E pra onde será esta viagem.

– Isto meu amigo é o verdadeiro mistério.

A conversa deixara o assessor ainda mais curioso, ele censurava-se por isto, pela primeira vez a ordem lhe fugira entre os dedos. Amigo, TPX 161-05 lhe chamara assim e ao contrário do que poderia parecer, não se tratava de ironia, mas um afeto verdadeiro, o assessor simplesmente sabia disso, tinha certeza e esta certeza lhe exprimia o peito.

Uma montanha de papéis espalhados de repente estava bem no meio do gabinete pessoal do assessor, ele se lembrava de ter abandonado a sala de monitoramento para descansar um pouco e de repente ele encontra a sua sala virada do avesso, ouviu a voz de TPX 161-05 lhe chamando de homem do tempo do outro lado da pilha de documentos, contornou os papéis para encontrá-lo, mas este parecia que estava fugindo correndo ao redor da pilha, irritado o assessor se lança sobre os papéis na tentativa de diminuir a distância, de repente ele se vê escalando uma pilha intermináveis de papéis, olha pra baixo e não consegue distinguir o chão, parece estar a uma altura realmente alta uma baforada de vento quase o derruba de lá, ele se agarra com força a sua montanha de papéis e vislumbra um pouco acima o cume, resolve subir pois lhe parece um lugar mais seguro. No alto de sua montanha de papéis está um pequeno relógio de mão, ele o apanha abre a tampa, mas no lugar das horas parece que este relógio conta a sua vida, isto permite ao assessor ter uma perspectiva nova de sua própria vida o que é terrível e maravilhoso, tudo parece tão claro e tão triste, eis que outra baforada de ar lhe tira o equilíbrio e faz o relógio cair montanha abaixo, desesperado o oficial estende os braços e grita pelo relógio – Porque diabos você fica procurando por um relógio do alto de uma montanha de papéis? – De repente aparece TPX 161-05 perguntando – Você não entende é minha vida – Um relógio velho é sua vida? -Não é só um relógio… eu não sei o que é, mas sei que preciso dele – Parece que caiu lá embaixo – Eu sei que caiu, vou tentar descer esta montanha – A única forma de você chegar a tempo é pulando – Mas desta altura eu morro – Ué pensei que sua vida tivesse ido com o relógio. Ele olha o abismo e sabe o que deve fazer.

O assessor-ministerial DS-12 acordou sobressaltado, o que eram aquelas imagens? Era tudo impossível, como poderia ter acontecido? Sem dúvida ele padecera do mal de TPX 161-05, e ele precisava esconder isso de alguma forma, correra para os registros de atividade noturna, como toda a noite TPX e a enfermeira-padrão tinham as atividades psíquicas os alarmes de desfunção foram desligados, isso possibilitou que o assessor apaga-se os registro daquela noite, por hora estava salvo.

Durante todo o resto do dia o incômodo constante do assessor se transformou em uma angústia alucinante, o suor frio o acompanhava todo o tempo e não conseguia completar os pensamentos, se disse maldisposto na tentativa de disfarçar a situação, os medi-diagnósticos apontaram o quadro como alto stress, e lhe foi dado um dia para se recuperar.

Antes do fim da tarde ele obteve a resposta tão aguardada do ministério, a solução era a total eliminação dos indivíduos, apesar de bárbara era a única ação que garantiria a manutenção do bem comum, uma equipe de limpeza se apresentaria no dia seguinte.

O assessor já esperava por esta resolução, mas após os eventos desta noite a notícia viera em péssima hora, ele não teria tempo pra solucionar o seu caso, descobrir o que havia com ele, e alguém descobrisse ele também seria eliminado, teria que fazer algo, mas o que?

Não poderia dormir, era muito perigoso, ficou zanzando pelo gabinete, tentando pensar numa solução enquanto as horas lhe escoriam pelos dedos, sentou um pouco pensando em como resolver o problema.

Se viu na beira do abismo e o universo vazio parecia lhe chamar pelo nome, qual nome? Ele atirou-se e sentiu seu ser unir-se ao abismo não existe mais papéis ele sabe o que deve fazer.

Acordou pegou as chaves e dirigiu-se para a cabine de Bernardo, este já o esperava, é hora da viagem.

Os três se esgueiravam pela vegetação que ficava de fora da instituição enquanto o alarme soava alto nas suas costas, a caçada começara eles eram acossados ferozmente por todo o sistema, enquanto o sol não nascera eles conseguiram alguma distância, agora que estava claro a chances deles eram mínimas.

O esquadrão de limpeza era formado por profissionais selecionados por um árduo processo, a maioria dos indivíduos que iniciavam o treinamento acabavam como guarda-padrão só os indivíduos altamente competentes recebiam a alcunha de limpador-especial e eles estavam atrás dos fugitivos.

Eles conseguiram chegar até a borda de um precipício, nem mesmo Clara sabia deste abismo, eram terras que não faziam parte do ambiente de vivência comum e não eram explorados por nenhum cidadão sobre ordem expressas pelo normativa geral.

Sobre seus rastros o esquadrão de limpeza avançava rápido. Clara olhou para Bernardo e confessou o seu amor, os dois deram um beijo sincero e apaixonado o assessor-ministerial DS-12 sentiu-se reconfortado por entender a poesia pela primeira vez.

– Está na hora da viagem, meu amigo. Disse Bernardo.

– Eu sei respondeu o assessor, quero agradecê-los por tudo.

– Clara lhe deu um beijo na face esquerda, ele sorriu.

– Vamos então?

– Vamos, os outros concordaram.

Se postaram na margem do abismo, olharam para o universo vazio que os chamava.

– Eu, Bernardo vim de uma cidade do interior onde brincava de bola com os meninos na rua e depois de velho me apaixonei por Clara nos casamos e fomos felizes.

– Eu, Clara me formei enfermeira para ajudar as pessoas e um dia me apaixonei por um paciente, Bernardo, nos casamos e tivemos dois filhos e fomos felizes.

– Eu, José encontrei meu relógio guardado com um grande amigo e finalmente pude ser feliz.

Os três deram-se as mãos e se unirão ao universo.

Quando o esquadrão de limpeza chegou segundos depois descobriu que pela primeira fez falhara numa missão.

Clip Autobiografia – Kid Cuba

23/05/2011

Um trabalho meu em cima da música do meu pai, tocada pela banda dele (Kid Cuba) com desenhos feito pela minha namorida Malu e manipulados pela Joi!!

Webceleb Brasil

09/01/2011

Novo ano, e finalmente um post novo, ainda sobre bonecos, acontece que está rolando uma promoção bacana chamada Webceleb Brasil e estou participando com este vídeo:

Caso eu ganhe será uma boa oportunidade, mas mesmo se não rolar eu gostaria de saber o que acham de vídeos com bonecos?

Aula de direção cinematográfica

21/12/2010

Hoje quero apenas compartilhar com vocês este vídeo muito bom sobre direção cinematográfica com Emiliano Ribeiro diretor do filme “As Meninas” e “Condenado a Liberdade” e produtor executivo do filme “Gatão de meia idade”

[videolog 491145]

Tutorial: Criação de Bonecos – Parte 2

13/12/2010

Dando sequência ao nosso tutorial de forma totalmente ilógica vou dar umas dicas de acabamento.

Da mesma forma que existem muitas técnicas para fazer o boneco, Escultura em madeira, isopor, modelado em argila, etc, também temos muitas formas de acabamento, tais como fibragem, massa corrida, etc.

A primeira coisa a se pensar é onde se usaremos este boneco? no palco? em área externa? ele fica exposto ao tempo?

Com essas questões podemos determinar duas coisas: qual será a resistência do boneco e qual o nível de detalhe exigido.

O primeiro passo para o acabamento de um boneco é o empapelamento dependendo de qual foi o seu material você deve fazer mais ou menos camadas de acordo com a seguinte regra.

Modelado em argila: mínimo de 7 camadas, afinal iremos retirar toda a argila e ficar só com o papel e cola.

Esculpido em isopor: de 1 a 3 camadas dependendo de quanto precisará ser resistente.

Esculpido em madeira: Nenhuma este tipo de boneco tem outro tipo de tratamento, que tem a ver com preparar a superfície, pintar e envernizar, não trataremos deste tipo de boneco aqui.

Espuma: também nenhuma

Para empapelar recomendo que usem papel craft que é um papel bem grosso e dará uma ótima resistência, o processo constitui de molhar o boneco de cola colocar o papel, passar cola por cima, deixar secar e fazer outra camada.

Alguns pontos importantes: não corte o papel com a tesoura rasgue ele em tiras, pois assim um pedaço se cola melhor ao outro;

antes de rasgar amasse bem todo o papel para quebrar as fibras do mesmo;

a cola pode ser diluída em água, o importante é ela ter uma liga boa e não ser muito grossa você testa a liga com os dedos polegar e indicador;

cuidado para não deixar a região muito molhada pois isto enruga o papel e se ficar muito enrugado o acabamento fica horrível, um enrugamento leve chega a desaparecer depois que a cola seca, mas seja atento a isso, evite as rugas;

você pode usar pincel ou a mão pra empapelar eu acho mais fácil com um pincel chato grosso, passo ele na superfície, colo o papel e passo sobre o papel.

Depois de empapelado você pode passar uma lixa fina sobre todo o boneco antes de seguir pra próxima parte, mas em geral isto é desnecessário, ainda mais se você for fibrar a peça.

Uma dica bacana pra quem precisa de uma peça forte e não tem interesse ou paciência pra fibra de vidro é combinar camadas de papel com tecido alternando entre ela e deixando a primeira e a ultima camada em papel, pode usar gaze ou tecido de fralda que fica bom.

Agora temos três opções trabalhar com massa corrida, fibra ou látex.

Massa corrida

É a solução mais simples e barata, você cobre a peça com uma camada fina de massa, deixa secar e depois lixa, primeiro com uma lixa mais grossa e depois uma fina pra pequenos detalhes, pode usar uma lixa entre 80 e 100 pra parte grossa e uma 250 pra detalhes.

Fibra

O mais caro e trabalhoso dos processos, você precisa de resina, manta de fibra e talco indústrial, isto só pra parte essencial, você deve colocar a manta sobre a superfície e com uma broxa ir “carimbando” a peça, já ví pessoas fazerem primeiro uma camada só com resina e depois sim vir com a fibra, mas não sei ao certo qual o melhor opção já que não sou especialista em fibra e só ví o processo sem tê-lo feito diretamente, depois da fibra “carimbada” deixe secar e venha com uma camada de resida misturada com talco industrial, deixe secar e lixe, dependendo você pode mandar a peça direto pra pintura, você já deve ter visto em lojas ou shopping alguns bonecos em que se vê a textura da fibra estes são os que vão direto pra pintura. Outra opção é seguir o trabalho do funileiro e passar primeiro massa plástica lixar e depois massa rápida pra um acabamento mais fino e lixar, aí vc terá um acabamento liso e sem textura.

Látex

O látex também pode ser usado em bonecos de espuma, para isso antes do látex você deve “vedar” a espuma, a fim de não precisar de muitas camadas de látex já que a espuma chupa o látex. Para vedar você deve passar cola de contato em toda a superfície da espuma e deixar secar.

Para o acabamento em látex eu recomendo misturar o látex com tinta acrílica pois o látex puro é muito líquido e quando misturado com a tinta ele ganha “carga” ficando mais pastoso, a medida é 1/3 de tinta para 2/3 de látex, sempre arredonde o látex para mais.

Também podemos colorir esta mistura, bisnagas de pigmento funcionam mas podem danificar o látex o ideal é usar um pigmento não ferroso como algumas anilinas líquidas.

Com a mistura feita passamos o látex sobre a superfície, deixamos secar e repetimos o procedimento até ficarmos felizes com o resultado, cuidado com gotas escorridas pois ficam feias.

O látex quando bem seco não fica grudendo, cuidado com o calor nestes bonecos, eles aguentam um espetáculo de duas horas sobre a luz de teatro mas não tão bem em um porta-mala de um carro sem abrigo do sol em pleno verão.

Depois disso vem a pintura que merece um tutorial à parte e que eu não prometo fazer, pois não é o meu forte, mas vou tentar convencer minha parceira a fazê-lo algum dia, mas antes disso temos muito o que estudar por aqui.

até a próxima.

Conceitos básicos de animação

30/11/2010

Não basta saber fazer bonecos se não soubermos como dar vida a eles. Pensando nisso, resolvi dar algumas dicas sobre a manipulação.

Animar vem de ânima que significa alma logo animar é dar vida, dar alma.

Mas o que faz um objeto inanimado ganhar vida? E que fique claro que qualquer objeto pode ganhar vida e se tornar um boneco.

Não adianta movermos o objeto aleatoriamente, se fizermos isso ao invés de criar vida, iremos é chamar a atenção para o manipulador e uma coisa que precisa ficar clara pra quem trabalha com teatro de animação é que o boneco deve aparecer primeiro, o manipular será sempre coadjuvante e em alguns casos até invisível.

Os movimentos devem ser verossímeis e me arrisco a dizer que em certa medida os movimentos devem ser humanos, isso porque um elemento essencial ao teatro é a empatia, precisamos nos reconhecer ou ao menos reconhecer a situação que está em cena.

Claro que uma das coisas bacanas dos bonecos são as possibilidades de fazer coisas impossíveis, como voar, saltar distancias imensas, esbugalhar muito os olhos, etc, mas estes movimentos só funcionam, só ganham expressividade se tiverem uma base de movimentos em que conseguimos acreditar.

Certo, já temos alguns conceitos importantes em mente, mas além disso existem algumas técnicas que facilitam em muito a nossa vida.

Vou lhes falar sobre o que eu chamarei de técnica de três pontos, são eles ponto de gravidade, ponto de visão e ponto pensante.

O ponto de gravidade é quem vai determinar como o boneco se locomove, é o seu centro de gravidade, dele partem todos os movimentos, se observarmos nosso caminhar iremos perceber que o centro de gravidade humano fica mais ou menos  quatro dedos abaixo do umbigo, e quando andamos o nosso centro de gravidade se mantém paralelo ao chão, com os bonecos deve ser igual o centro de gravidade deve guiar a movimentação do boneco e se ele deixar de ficar paralelo ao chão o boneco estará desequilibrado. Aqui eu devo salientar a importância de observarmos o eixo de equilíbrio do boneco que deve se manter reto e perpendicular ao horizonte, devemos ter o cuidado de o boneco não andar inclinado com a cabeça para frente ou para tráz.

Ponto de visão e ponto pensante são respectivamente os olhos e o cérebro do boneco, com isso definido temos a cabeça. O olhar talvez seja a parte mais importante da manipulação, o olhar do boneco é quem determina todas as suas reações, um detalhe importante aqui é sobre foco, o olhar do boneco deve determinar pra onde o público vê, e a primeira coisa que devemos ter cuidado é pra não rivalizar o olhar do manipulador com o do boneco, o olhar do manipulador será sempre mais chamativo que o do boneco e por isso devemos ter absoluto controle pra onde está olhando e ficar com o boneco sempre em vista.

Nenhuma regra é absoluta, e existem situações em que elas devem sim ser quebradas, mas elas são uma boa base de aprendizado e só a experiência vai lhe dizer quando elas devem ser respeitadas ou abandonadas.

Por hora eu fico aqui, como sempre as perguntas devem ser feitas nos comentários.

Até a próxima.

Tutorial: Criação de bonecos – parte 1

23/11/2010

O artigo mais visitado deste blog é de longe  “Tipos diferentes de manipulação”, pensando nisso e com o espírito de compartilhar informações tão presente no mundo open source, resolve iniciar uma série de tutoriais sobre como fazer bonecos de animação.

Já aviso que não pretendo postar isso regularmente, vou postar conforme me der vontade e se tiver algum feadback, se ficar alguma dúvida o espaço de comentários é o canal direto.

Começando:

Antes de se fazer um boneco e decidir de qual tipo será, é importante pensarmos em qual será a sua utilidade. Porque um boneco? Existe uma justificativa dramatúrgica para isso? Alguma pesquisa estética?

Ao responder estas perguntas, você estará não apenas decidindo por um boneco, mas já começa a planejar o visual e linha de interpretação do espetáculo.

Ok, temos um porque, já sabemos que história queremos contar, resta decidir qual técnica será usada, este questionamento em alguns casos são óbvios, muitos bonequeiros são especialistas em uma técnica, mas alguns preferem ir pelo caminho da pesquisa.

Sobre isso há que se fazer algumas considerações. O especialista, domina as minúcias da manipulação daquele tipo de boneco e sem dúvida será mais virtuose do que aquele que não se atém a uma técnica e isto pode ser muito interessante, por outro lado pesquisar diferentes técnicas e até criar a sua própria permite a renovação da arte de animação e aprofunda o entendimento do diálogo palco-platéia.

Esculpindo em isopor:

Uma técnica muito usada na construção de diferentes tipos de bonecos é a escultura em isopor.

O isopor é bom, porque é fácil de ser trabalhado e seu custo é relativamente barato, por outro lado é importante saber que se trata de um produto tóxico cortar o isopor já é toxico, queimá-lo é ainda mais, então é recomendado o uso de máscará de proteção.

Materiais:


Caneta de retro-projetor ou pincel atômico:

Para desenhar no isopor e saber onde cortar.

 

 

 

 

Lixas

Para acabamento e detalhes.

 

 

 

 

Estiletes

É a nossa ferramenta principal, fazemos a maioria dos cortes com ela por isso é bom ter a mão um conjunto de lâminas sobressalentes, pois é importante mantê-la afiada.

Dica: Não assopre o isopor que fica na lâmina pois a saliva oxida e diminui a vida útil da lâmina.

 

 

 

Escova de aço ou pregos

É muito útil para nivelar, aprofundar, arredondar peças grandes.

 

 

 

Serrote

Existem vários tipos com cortes diferentes, serve pra cortar peças grandes.

 

 

 

 

Cortador de isopor

Existem de vários tamanhos tanto para peças grandes até pequenos pirógrafos para detalhes, trata-se de um fio metálico que é aquecido ao receber a passagem de uma corrente elétrica, ao entrar em contato com o isopor o fio o queima permitindo cortes rápidos.

 

 

 

Projeto:

A primeira coisa a ser feita é um projeto das peças que serão esculpidas uma cabeça? duas mãozinhas? para isso façam desenhos, não importa se você é péssimo desenhista a idéia aqui é ajudá-lo a visualizar a peça final.

Perfil:

Depois de ter o esboço da peça é preciso desenhar as vistas superior e lateral da peça, isso o ajudará a ver os excessos de isopor que podem ser cortados.

Dependendo do tamanho da peça e da dificuldade você pode desenhar o perfil diretamente sobre a chapa/bloco de isopor ou criar um perfil em papel.

Depois de cortar fora o excesso já fica bem mais fácil visualizar o boneco, nesta parte o cortador de isopor é muito útil.

Aí então você vai esculpindo as formas e aos poucos dando forma a peça, uma dica boa é sempre usar a caneta de retro quando estiver em dúvida linhas guias também ajudam.

Primeiro você deve esculpir formas brutas, quadradonas conforme for desmistificando a figura vc vai dando detalhes usando a lixa ou dependendo da situação a escova de aço para deixar as formas mais orgânicas.

Depois de esculpido você deve vir com a lixa dando um acabamento em toda a peça.

A parte da escultura termina aqui, o amarelo que vc vê na foto é Poliuretano ou PU sólido que é muito usado para reparos ou juntar peças.

Depois de esculpido vc deve empapelar, dar acabamento em massa ou fibrar (isto será abordado mais profundamente em outro tutorial).

Depois vem a pintura

E aí é curtir os louros.