Archive for maio \26\UTC 2009

Os Argonautas

26/05/2009

  Hoje o assunto é teatro de animação e temos 3 artigos sobre o assunto!

  Bom pessoal estou produzindo junto com a Joy Japy uma versão do mito grego de “Jasão e Os Argonautas” para um espetáculo de bonecos.

  Estamos em produção de bonecos para o espetáculo, e como dá trabalho, mas tudo bem porque a gente ama fazer isto!

  Quero compartilhar com vocês um pouco deste processo, portante segue algumas fotos:

jasao

  Este é o Jasão nosso herói nesta aventura, sua cabeça foi esculpida em poliuretano, com exceção do cabelo que foi modelado em argila, depois disto, como todos os bonecos,  ele foi todo empapelado, recebeu uma camada de massa corrida, e após ser lixado uma base de tinta branca.

fineu

  Este é Fineu, o advinho cego, foi modelado em argila e depois passou pelo mesmo processo que o jasão.

rei

  Este carinha fará o papel de dois reis, Pélias de Iolco e Eetes da Cólquida, também foi modelado em argila com excessão das orelhas que são esculpidas no isopor.

3cabecas

  Los Três Amigos!

touro

  Este é um touro místico criado por Hefesto, um dos desafios de nosso herói, como podem ver foi esculpido em isopor.

maos

  Aqui temos dois pares de mãos, as em branco foram esculpidas no isopor, empapelada, e receberam camada de massa, as pardas, foram esculpidas na argila e empapeladas.

pes

  Pra terminar um par de pés esculpido em isopor, só falta a sola ser empapelada, isto porque ainda vou testar se o peso está certo junto ao esqueleto, que é feito em madeira, as tiras de cadarço que saem por cima servirão para ligar o pé ao esqueleto.

  Bom pessoal é isso quem tiver alguma dúvida quanto ao processo de confecção pode deixar um comentário que eu respondo.

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Fotos do Casamento da Baratinha

26/05/2009

  No multiply da Cia Stromboli estão novas fotos do casamento da baratinha, espetáculo do qual faço parte.

  O endereço é do álbum virtual é:
http://stromboli.multiply.com/photos/album/17/O_casamento_da_Baratinha

Eu faço a Coruja!

Eu faço a Coruja!

 Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Oficina Permanente de Animação

26/05/2009

  Pessoal acabo de receber um e-mail do Henrique Sitchin, anunciando a volta da oficina permanente de animação, recomendo a todos, eu mesmo já fiz esta oficina e aprendi muitíssimo!

  Segue o e-mail: 

  Queridos amigos!

  É com imensa alegria que comunico a volta dos trabalhos da OFICINA PERMANENTE DE TEATRO DE ANIMAÇÃO do CENTRO DE ESTUDOS E PRÁTICAS DO TEATRO DE ANIMAÇÃO. E desta vez com novidades: Ganhamos mais um dia de trabalhos na semana. Então teremos aulas às 2as. e 3as. feiras, das 19h às 21h30. Nas segundas feiras as aulas iniciais, sobre Dramaturgia para o Teatro de Animação, seguirão sendo ministradas por mim, Henrique Sitchin. E para as 3as. feiras contaremos com dois aliados fantásticos: Verônica Gerchman e João Araujo, do grupo Morpheus Teatro, ministrarão aulas sobre técnicas e procedimentos para a animação de bonecos, formas e objetos!

  Faremos uma detalhada reunião explicativa sobre a oficina, aberta a todos os interessados, no dia 02 de Junho, às 19h30! Neste dia, ao final da reunião, já procederemos a inscrição daqueles que tenham intenção de ficar no grupo.

  As aulas começarão na semana do dia 15/06! A oficina será gratuita e seguirá até o final do ano! Depois, até março de 2010, os alunos trabalharão em projetos de trabalho resultantes da oficina de 2009.

  Por favor, repassem esta mensagem para suas listas, para que o maior número de pessoas possa estar presente na reunião do dia 02/06. LOCAL: BIBLIOTECA MONTEIRO LOBATO RUA GENERAL JARDIM, 485 – VILA BUARQUE REUNIÃO EXPLICATIVA SOBRE A OFICINA PERMANENTE DE TEATRO DE ANIMAÇÃO 2009 / 2010. HORÁRIO: 19H30 Um abraço a todos!

   Henrique Sitchin

   Cia Truks

  www.truks.com.br

  HENRIQUE SITCHIN

  Ator, autor e diretor teatral com 23 anos de experiências profissionais. Um dos fundadores e atual coordenador da Cia Truks, com a qual realizou mais de 15 montagens e recebeu mais de 2 dezenas de prêmios e indicações. Coordenador, desde 2002, do CENTRO DE ESTUDOS E PRÁTICAS DO TEATRO DE ANIMAÇÃO DE SÃO PAULO, espaço de referências para o teatro feito com bonecos, objetos e formas animadas, na capital paulista. Autor do livro “A POSSIBILIDADE DO NOVO NO TEATRO DE ANIMAÇÃO”. Assessora o trabalho de diversos grupos além de ministrar oficinas de teatro de animação por todo o país.

   VERÔNICA GERCHMAN

   Verônica Gerchman é atriz bonequeira, atuando profissionalmente no Teatro de Animação desde 1983. Em SP criou o Teatro Rabistreco, que em dez anos de apresentações, entre 1985 e 1995, realizou cerca de 1200 apresentações profissionais. Co-fundadora da Cia. Truks, em 1990. Atuou em todas as montagens da Cia. Truks, entre as quais: ‘Truks: A Bruxinha’, ‘O Aprendiz’, ‘O Senhor dos Sonhos’, ‘Cidade Azul’, ‘Contar até Dez’, ‘Vovô’ e ‘Big Bang’. Diretora e co-autora dos espetáculos ‘Zôo-ilógico’ e ‘Inzôonia’, da Cia. Teatro das Coisas. Atual atriz, criadora e produtora executiva do grupo Morpheus Teatro.

  JOÃO ARAÚJO

   João Araujo é ator e diretor do grupo Morpheus Teatro. Desde o ano de 1997 tem dedicado sua pesquisa teatral às relações entre o ofício do ator e o teatro de animação. Atuou na Cia. Truks nos seguintes espetáculos: “O Senhor dos Sonhos”, “A Cidade Azul” e “Contar Até Dez”. Com o grupo Morpheus Teatro criou as peças ‘O Princípio do Espanto’ e ‘Pequenas Coisas’. Apresentou espetáculos e coordenou oficinas em diversos festivais e mostras de teatro em cidades do Brasil, Argentina, Itália, Irlanda e Vietnã Parte inferior do formulário

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Próximo Evento dia 20 de Junho

19/05/2009

  Bom pessoal o próximo evento acontecerá no dia 20 de junho no “Bar do Santa”, logo divulgaremos a programação da noite, mas já dá pra adiantar que terá muita diversidade, com várias esquetes e boa música, além de nossos artistas visuais.

  Pedimos desculpa pela mundança de data, mas com o feriado de Corpus Christi não dava pra materno dia 13.

Abaixo segue o cartaz desta edição.

cartazjunho09net

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Sonho de um homem ridículo

11/05/2009

  No último sábado, dia 09/05/2009, tive a oportunidade de apreciar uma bonita interpretação de Celso Frateschicapa_40, pra quem não sabe ele já foi secretário municipal de cultura da cidade de São Paulo, durante essa época ele recebeu várias críticas, como aquela que diz que ele acabou com todo o teatro amador da cidade, pois dava suporte exclusivo ao seu projeto “Teatro Vocacional”, também já foi presidente da FUNART e hoje é secretário municipal de cultura em São Bernardo. Alguns podem se lembrar dele como o “anjo” da novela “Beijo do Vampiro”.

  Mas não é por nenhum destes motivos que quero falar sobre Celso Frateschi, mas sim pelo seu grande talento artístico, Frateschi que já teve como mestre Antônio Abujamra, sem dúvida é um grande ator, dotado de uma técnica apurada, ele já figura há muito tempo como um dos grandes atores dos teatros paulistas e brasileiros.

  O Espetáculo “Sonho de um homem ridículo”, é baseado num conto homônimo de Fiodor Dostoiévski, e devo dizer que o texto, nesta peça, sem dúvida é um dos pontos altos, mais um ponto para Frateschi que é responsável pela dramaturgia, que está sendo considerada muito fiel ao texto. A direção fica a cargo de Roberto Lage, e é muito honesta, sem muitas invencionices, o diretor sabe do ator que tem e dá espaço para um monólogo bem acertado, mas a melhor coisa desta direção é como Roberto Lage harmonisa os elementos do espetáculo, o figurino, o cenário, a iluminação estão trabalhando em uníssono para dar todo o suporte a performance e principalmente ao texto.

  O cenário é um espetáculo a parte, composto por pilhas de livros processuais, que vão até o urdimento, um leve papel de parede em tom pastel, e a divisão do palco em três níveis, na verdade são dois níveis e uma porta no centro do nível superior com um quartinho escuro dentro.

  Os elementos de cenas também são bem acertados, excetuando talves uma bacia com água, que fica no chão a esquerda do palco, em alguns momentos a luz que se reflete na bacia é usada para iluminar o rosto do ator, o que dá um efeito interresante, mas já batido e um pouco mal realizado, embora a principal função da bacia seja recolher as gotas que caem de um aparato, que lembra um lustre, e serve pra frisar uma certa constância, alias o irremediável pingar da gota é citado no texto.

  020409_mc1Outro elemento interesante é um painel com uma pintura bem simples, formadas por linhas, que serve de tela para projeções que funcionam principalmente como elemento de iluminação cênica, já que em apenas um momento é projetada uma imagem clara, sendo que no restante do espetáculo, as projeções auxiliam a iluminação a encontrar o tom certo para cada momento e sentimento que o espetáculo queira realizar, alías apesar de ser uma adaptação de conto, sendo uma narração que a personagem nos relata, este espetáculo é bem Aristotélico, ou seja, nós realmente experimentamos uma catarse, sim porque os acontecimentos se sucedem de maneira tão lógica, natural e emocional, que em momento algum conseguimos nos questionar se o que está sendo dito é certo, para nossa sorte a mensagem da peça é uma importante reflexão, e é isto o que fica para nós espectadores ao final do espetáculo, fazer um balanço do que foi dito, já que durante a peça é impossível qualquer análise distanciada.

  Eu particularmente me vi envolvido em um caldeirão de sentimentos, e cheguei a sentir vergonha de minha prepotência e da prepotência de toda a raça humana, não porque eu seja naturalmente prepotente, pelo menos acho que minha vaidade e prepotência estão em um nível aceitável, mas por todo orgulho que temos a nossa lógica e razão e por desprezarmos a boa inocência que reside dentro de nós, esta mesma inocência que esta contida na alma do palhaço.

  Agora segue com vocês a sinopse do espetáculo, informações sobre a montagem e o serviço tais como estão no site do teatro Ágora (http://www.agorateatro.com.br/agorateatro/?page_id=178) :

homem_ridiculoSINOPSE

Peça baseada no conto de Dostoiévski. Segunda metade do século XIX. Um homem do subterrâneo. Cenário e personagem típicos do autor russo, um dos principais narradores da alma humana. Nosso herói sabe que é ridículo desde a infância – motivo de desprezo e zombaria de seus semelhantes- e já não tem mais nenhum interesse na continuação da sua existência. Num dia inútil como todos os outros, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de meter uma bala na cabeça, foi abordado por uma menina que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta aos berros. Ao voltar para casa, não consegue dar fim a sua existência. Adormece e sonha. Ele narra como conheceu a verdade em toda a sua glória e mostra como tudo aquilo deve ter sido real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num sonho.

A MONTAGEM

A adaptação se preocupa em manter o texto original de Fiódor Dostoiévski, que faz parte do livro Diário de um Escritor, publicado pela primeira vez em 1877. Propõe um espetáculo que explora o essencial das questões humanas de Dostoiévski, estabelecendo um diálogo direto com o contemporâneo. Sua arquitetura cênica é construída a partir da rua, do cortiço, do paraíso e do inferno – elementos da obra-, numa composição que sugere o onírico, onde o sentido do sonho é recuperado através do espanto ao colocar em um mesmo plano, o imaginário do contemporâneo e a infância da humanidade. O real e o sonho se justapondo em um diálogo permanente durante o jogo cênico. O ator solitário em cena é uma opção estética inerente ao tema, que aborda a solidão e a sua superação.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e interpretação: Celso Frateschi
Direção: Roberto Lage
Cenário e figurino: Sylvia Moreira
Corpo: Vivien Buckup
Luz: Wagner Freire
Trilha sonora: Aline Meyer

SERVIÇO

Data: de 03 de abril até 21 de junho
Horário: sexta e sábados às 21h, domingos às 19h
Duração: 75 minutos
Capacidade: 80 lugares
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Recomendação etária: 12 anos
Localização: Ágora Teatro – Sala Gianni Ratto

  E antes de ir embora vou deixar com vocês o endereço do blog do Frateschi, bem como o conto original de Dostoiévski.

Blog do Celso Frateschi:
http://bravonline.abril.com.br/blog/celsofrateschi/

Neste site você pode ler o conto on-line ou se cadastrar gratúitamente pra poder baixá-lo:
http://www.scribd.com/doc/7331832/Dostoievski-O-Sonho-de-Um-Homem-Ridiculo

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Nosso Adeus a Augusto Boal

05/05/2009

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Augusto Boal, teatrólogo, diretor e dramaturgo morreu por volta das 2h40 do dia 2 de maio de 2009, aos 78 anos, no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por insuficiência respiratória. Boal sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril.

  Boal foi um grande homem do teatro e da arte brasileira, defensor de uma arte engajada, em seu livro “Teatro do Orpimido: e outras poéticas políticas” ele diz: “Tenho sincero respeito por aqueles artistas que dedicam suas vidas exclusivamente à arte – é seu direito ou condição! -, mas prefiro aqueles que dedicam sua arte à vida.” 

  Eu tenho uma grande admiração por este grande mestre, já tendo estudado um pouco de sua obra, e posso dizer com toda certeza que Augusto Boal dedicou sua arte à vida!

  Boal, que foi filho de um padeiro português e de uma dona de casa, acabou revolucionando o teatro mundial. Seu teatro do oprimido tem atuação em mais de 50 paises, levando uma arte onde a população pode ver no palco as opressões cotidianas a que são expostas, mas o grande mérito deste teatro é a presença do spect-actor, que nada mais é do que levar o próprio espectador a cena para propor possíveis soluções para o problema apresentado, este técnica é chamada de teatro fórum e a partir dela surgem várias outras como o teatro legislativo, neste tipo de espetáculo, o teatro fórum é usado para criar leis que beneficiem a população e foi testada pelo proprio Boal quando este foi vereador na cidade do Rio de Janeiro, tendo encaminhado à Câmara de Vereadores 33 projetos de lei, dos quais 14 tornam-se leis municipais, entre 1993 a 1996, todos os projetos foram formulados com uso do teatro legislativo.

  Além do teatro do oprimido Agusto Boal também fez parte do Teatro de Arena, onde ele conduziu um seminário de dramaturgia, ensinando técnicas que ele aprendeu com John Gassner, entre os alunos estavam artistas fundamentais para a criação de uma dramaturgia brasileira.

  A minha experiência com o Teatro do Oprimido além do estudo de livros do mestre, também passa por uma curta experiência assistindo algumas aulas do GTO (Grupo do Teatro do Oprimido) em Santo André onde o GTO tem apoio e financiamento da prefeitura, foi uma experiência muito enriquecedora apesar de bem curta.

  Além disso pude assistir a palestra que Boal fez ano passado no fórum da Cooperativa Paulista de Teatro, ele fez uma rápida explicação do Teatro do Oprimido (Procure pela Árvore do Teatro do Oprimido) e contou de sua experiência artística no mundo, lemro-me de quando ele contou sobre sua passagem na câmara de vereadores no Rio de Janeiro, ele disse que foi o período em que ele e seu grupo, tiveram finalmente alguma estabilidade financeira trabalhando com arte.

  Boal está concorrendo ao prémio nobel da paz pelo seu trabalho mundial com o Teatro do Oprimido, e também foi nomeado Embaixador mundial do Teatro em março deste ano pela Unesco.

  Bom encerro deixando com vocês o discurso que Boal fez ao ser nomeado embaixador mundial do teatro, e confesso que estou um pouco emocionado fazendo este artigo, com vocês as palavras do mestre:

“Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de ideias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática –tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a plateia e a plateia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa –nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: – ‘Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida’.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento –é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!”

Este artigo foi feito com muito carinho por Paulo Carvalho.