Archive for setembro \29\UTC 2009

A General – Buster Keaton

29/09/2009

large_buster_keaton_general  O filme “A General” de Buster Keaton, figura constantemente nas listas de melhores filmes da história do cinema, e atesta a genialidade de Keaton.

  A história narra a aventura de Johnnie Gray (Keaton), um engenheiro, maquinista da grande Locomotiva “General”, Johnnie, se vê desprezado por sua amada Annabelle Lee (Marion Mack), quando ele é rejeitado pelo exercito dos confederados, durante a guerra civil. Tudo muda quando sua locomotiva é sequestrada juntamente com Annabelle pelos soldados da união, a partir dai o filme se divide em duas partes, o resgate dos dois amores de Johnnie, e a fuga dos heróis pelas linhas inimigas, até culminar no embate que dá a vitória aos confederados e o título de herói para Johnnie.

   Um fato curioso é que essa história é baseada em um fato real, porém o maquinista era do outro lado da guerra, Keaton achou que colocando o personagem do lado dos perdedores conseguiria uma melhor empatia do herói com o público.

  buster_lEsse filme também tem a cena mais cara do cinema mudo, na sequência em que uma locomotiva real despenca de uma ponte em chamas. Foi utilizado uma locomotiva real.

  Mas, o que realmente vale a pena nesse filme é o trabalho magistral de Keaton que constrói um personagem muito bem desenhado onde a famosa expressão imutável do “Palhaço que nunca ri” cabe como uma luva, a narrativa é brilhantemente construída eu chego a arriscar disser que este é o melhor filme de ação de todos os tempos, além de uma magistral comédia. Orson Welles disse: pouquíssimos filmes igualaram-se a este, nenhum que abordasse o tema”. Também é ótima a atuação de Marian Mack, lembro de uma passagem onde os heróis estão descarregando madeira para atear fogo a ponte e Annabelle joga um pequeno graveto ao invés de um tronco, a reação de Keaton é impagável, essa é só uma das ação da heroína que faz com que Johnnie queira estrangulá-la pelo pescoço, coisa que em determinado momento ele faz, logo depois transformando aquilo em carinho e dando um beijinho. 

  Enfim, é um filme obrigatório pra quem gosta de cinema e mais uma grande obra como só os grandes palhaços do cinema sabem fazer.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

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Nada novo, mas enfim…

21/09/2009

  Pessoal segue uma capítulo do meu livro “Nada novo, mas enfim…”, espero que agrade.

 

Capítulo VIII

 

            Sete horas em ponto, Carlos estava na bilheteria, Clara ainda não chegara, acabou pensando em Valéria, lembrava da primeira vez que a tinha encontrado no cinema. Coisa estranha, essas lembranças fugidias que, rebeldes, insistem em aparecer sem serem convidadas.

            Foi uma animação infantil, não era culpa de ninguém, simplesmente foi a melhor opção que tinham no momento, o filme foi divertido, pelo que ele lembrava, mas se lembrava mais era de beijá-la e ao mesmo tempo ter preocupação de não escandalizar as crianças do local, não tinham pensado nesse detalhe, filme infantil tem crianças assistindo, os beijos tinham que ser discretos.

            Era divertida essa coisa de querer fazer e não poder, como quando ele pela primeira vez a tocou nos seios, estavam em um ponto de ônibus, e toda vez que ele se aproximava de sua meta, passava um carro e ele disfarçava, outras vezes era uma senhora que cruzava a rua, por fim resolveu mandar os bons modos as cucúias e lhe acariciou os seios levemente, enquanto a beijava, quem dera pudesse ter congelado o tempo.

            Que gosto amargo, o que tem a nostalgia, a falta de algo que não mais existe. Mas agora a situação era outra, outra paixão, outras esperanças, quem sabe agora encontrara a pessoa certa?

            Clara chegou deslumbrante, como bem sabia fazer, o que deixava Carlos perplexo com a sua sorte, o que teria ele feito pra conquistar tão bela flor? Ele que não era nem muito bonito, nem feio, desses tipos que passam despercebidos na rua, por que ela resolvera sair com ele? Bom era melhor deixar as questões existenciais de lado e aproveitar o momento.

            – Demorei muito?

            – Não, cheguei agora.

            – O que vamos assistir?

            – Não sei. Quer ver desenho?

            – Para, tô falando sério, o que tá passando de bom?

            – Tem um filme argentino que parece ser ótimo, que tal – Perguntou Carlos sorrindo.

            – Pode ser, vamos lá, então.

            Dizem que a vida gira em ciclos, que repetimos os mesmos erros diversas vezes, quem dera se repetissem apenas os bons momentos.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Show Sambossa

19/09/2009

  Nesta quinta-feira que passou(17/09/2009), eu tive a felicidade de assistir mais um show do sambossa.

  Foi um belo show que pareceu uma reunião de amigos, dado o tamanho do bar e o espírito que se estabeleceu.

  Uma grata surpresa foi a participação de um violinista, Rodrigo, que enriqueceu ainda mais o som da banda.

  Pra quem quiser saber um pouco mais do Sambossa, acesse o site: http://www.sambossa.mus.br/

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

O Caso do relógio

12/09/2009

  Dizem que assim se passou lá no sul de Minas.

  Osório era um sujeito sem viço, passava às tardes caçando mosca com os olhos, às vezes tinha uma grande idéia, mas logo era vencida pelo desafio da locomoção.

  Tanto fez, nada fazer, que acabou ganhando a alcunha de preguiçoso, coisa que até incomodava Osório, mas acabou deixando por assim, já que o protesto requeria muita energia.

  Um dia, no entanto, uma velha conhecida de Osório, que tinha ido até a capital em busca de estudo, voltou lá pras bandas da terra sem futuro, que era a morada do capiau.

  E mesmo sem querer se mexer, o Osório começou com tamanho movimento ao ver a Verinha, que teria se cansado menos se arasse um alqueire de terra. Foi uma espécie de movimento que começou de dentro pra fora, como se um bicho tivesse preso dentro do peito e quisesse abrir uma saída à força. Tanto tremelique fazia com que tudo se movesse, nenhum controle, as pernas balançavam, mas não tinham firmeza, os lábios se mexiam, mas não se entendia as palavras.

   A coisa foi tão evidente que todo mundo entendeu, menos o Osório, foi tão divertido que todo mundo achou graça, menos o pai da Verinha, que não queria saber de vagabundo interessado em sua filha, ainda mais agora que ela era moça educada na cidade.

  Mais tarde, naquele dia, é que Osório entendeu o que se passara, Verinha não era mais a menina de canelas finas de sua meninice. Verinha virou mulher. E, a essa hora, já tinha passado da hora de Osório virar homem, seus amigos todos já tinham conhecido as maravilhas de um belo par de coxas, Osório só pensava que isso dava muito trabalho, mas as coxas da Verinha, ah! Compensavam o trabalho.

  Nos dias seguintes, Osório se mexeu, foi ganhando coragem, foi até o centro da pequena cidade ver a moça trabalhar. O pai da Verinha era dono da venda, o que ocasionou uma boa vontade nunca antes demonstrada pela criatura, era só alguém precisar de alguma coisa que o Osório logo se prontificava a ir buscar na venda.

  Quem não estava satisfeito em nada com essa história era o pai da bem-querida, tanto que era só o Osório pisar na venda, que logo vinha o homem pedir para que ela fizesse alguma coisa lá dentro no estoque, mas o que realmente provocou o Osório, e fez este caso se tornar interessante, foi a própria Verinha que um dia, num acesso de sinceridade e grosseria, falou bem pro Osório tomar tento, que ela não queria saber de matuto preguiçoso.

  É claro que o bichinho ficou arrasado, mas isso pouco durou, pois que o Osório teve uma luz, Ele haveria de por força própria, conseguir um relógio para a torre da igreja.

  Fez questão de anunciar para toda a cidade, que ouviu tudo num misto de desconfiança e admiração. Igreja boa, que se preste, tem que ter relógio na torre. Por fim acabou ganhando o apoio de toda a cidade, Osório iria encontrar quem vendesse, a forma de trazer, e o modelo mais bonito, só precisaria do apoio financeiro dos concidadãos para poder comprar o dispositivo.

  A isso o povo não gostou muito, mas acabou que aos poucos as pessoas começaram a contribuir para a campanha do relógio, mesmo o pai da Verinha, cuja venda ficava de frente pra igreja e seria grande beneficiado do medidor de tempo. Só quem não se empolgou com a história foi a própria Verinha, que não via muita coisa em relógio, ademais relógio ela já tinha no pulso. Ô coisa de gente atrasada se entusiasmar com um relógio!

  Osório, que a princípio esmoreceu, por conta da amada, resolveu continuar o projeto. Gostou do novo tratamento que todos lhe davam, e se Verinha não se impressionou com o espírito empreendedor de Osório, o mesmo não se pode dizer das outras moças da cidade.

  Acontece porém, que o tempo foi passando, e nada de relógio, as pessoas contribuindo, o Osório sempre falando que ainda não deu o dinheiro, depois de dois anos ninguém acreditava mais, e a pressão popular veio com tudo, sem perder tempo, o Osório anunciou que tinha comprado o relógio e no fim de semana ele seria inaugurado, que ele não precisaria de ajuda, pois ele sozinho iria instalar o relógio.

  Nova onda de admiração, e a desconfiança que havia se instalado pelo atraso do relógio, tinha se tornado no mais belo entusiasmo. Houve muitos que disseram que nunca duvidaram de Osório, mesmo quando este era tido como só um vagabundo.

  Chegado o grande dia, a torre da igreja estava coberta com um pano branco, discurso do prefeito, música da banda, festa de todos. O Osório só dizia que ele não tinha feito mais que a obrigação.

  Hora de desfraldar o relógio, ansiedade geral, retira-se o pano. O que diabos é aquilo na torre da igreja?

  As pessoas espremiam os olhos pra tentar enxergar aquele pontinho no meio da torre. Aquele era o relógio?

  Pois que era, o Osório tinha comprado um daqueles despertadores de dar corda. “Vocês ainda nem viram a barulheira que ele faz quando toca a sineta”. Barulheira quem fez foi o povo, foi um tal de pega pra lá, pega pra cá que o Osório teve que sair em desabalada carreira, com o povo todo atrás, de repente, ele vê na frente alguém o chamando, era a Verinha, que o estava chamando para se esconder da fúria do povo.

  “Mas você deu mesmo uma lição nesses caipiras”, disse a Verinha rindo pra um Osório abobado.

  “Eu não sei de nada disso não”, respondeu meio sem entender o que a Verinha insinuava.

  “A é? Então o que você fez com o dinheiro, que recebeu do povo esse tempo todo?”

  “Você promete guardar segredo? Eu te comprei um presente”, então o Osório mostrou um anel de ouro com uma pedra de diamante encravada, disse que era dela por nada, mas que ele adoraria se ela o aceitasse como sendo de noivado.

  Verinha sabendo que de outra forma nunca teria um anel daqueles, aceitou o convite. O difícil foi fugir da cidade por uns tempos até que a multidão se acalmasse.

  Este conto foi feito por Paulo Carvalho.

Trago Comigo

08/09/2009

direcoes_tragocomigo Trago Comigo é uma minissérie, produzida pela teve Cultura, que faz parte do projeto Direções III.

  A série conta a história de Telmo Marinicov, um renomado diretor Teatral, que fez parte da luta armada contra a ditadura militar.

  Durante uma entrevista para um documentário, Telmo se dá conta que não se lembra de uma parte do seu passado, mais precisamente a figura de Lia.

  Logo depois, ele é convidado à dirigir uma peça para a reinauguração de um antigo teatro que estava fechado a algum tempo.

  Telmo então começa a dirigir improvisações que o levam a relembrar o passado e retirar esqueletos que há muito habitavam o seu armário.

  A minissérie foi dirigida por Tata Amaral, sendo muito interessante. Além de ser uma boa investigação do universo teatral, e demonstrar a força que a poesia da cena têm como elemento transformador, a minissérie nos relembra deste importante período da história do Brasil, fazendo ao mesmo tempo um questionamento: Quando teremos justiça pelos mortos e torturados da ditadura?

  Paralelo a história nos são apresentados depoimentos de ex-membros da luta armada, que nos mostra que não se trata de mera ficção e que a ferida continua aberta.

  As atuações estão ótimas, principalmente a de Carlos Alberto Riccelli, que vive um Telmo visceral.

  Devo destacar também a bela direção de arte feita pelo cenógrafo e arquiteto J. C. Serroni.

  A minissérie pode ser vista on-line no seguinte endereço: http://www.tvcultura.com.br/direcoes/trago-comigo

  Fica então mais uma dica de um belo trabalho brasileiro.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Show Sambossa

07/09/2009

Quinta-Feira dia 17 de setembro à partir das 21 horas

Show do Sambossa no Miscelânea Cultural

Venha curtir boa música brasileira e pestigiar nosso trabalho.

Couver: R$ 15 no dia

Convites antecipados à venda: R$ 10,00

Através dos telefones – 2309-6910, 8190-8309 ou pelo e-mail contato@sambossa.mus.br

Conheça nosso trabalho Acesse – www.sambossa.mus.br

ESPAÇO MISCELÂNEA CULTURAL

Rua Alvaro Anes, 91 – Pinheiros
Inf. 3815-9808 /

 

 

Aquela do Cartola

06/09/2009

  Fim da tarde, ele observava o pôr-do-sol da janela do apartamento, era de um rosa claro, como se o espírito da cidade estivesse tranqüilo, em sua cabeça ele ouvia as rosas de Cartola.

  Ela chega, olha-o com uma frieza falsa, de quem quer esconder o que realmente sente.

  – Você já tá indo?

   – Estou.

  Naquele instante estavam concentrados todos os sete anos do relacionamento, o ar estava denso, dava para dividi-lo com as mãos.

  E por um instante ficaram assim, se olhando, tendo a vontade de dizer tantas coisas, mas tudo já havia sido dito, restava apenas a despedida.

  Ele então caminha em direção às malas, e a cada passo ele se lembra de uma palavra, de tantas que já feriram seu coração. Chega até as malas, as apanha, respira fundo.

  Ela o acompanha com o olhar, sente a lágrima que quer cair, mas a guarda para si.

  Será que a palavra certa poderia mudar tudo?

  Será possível um som atravessar a barreira de mágoa e dor?

  Será possível a comunicação?

  No entanto, o que mais falava era o silêncio.

  Ele a olha por uma última vez. Ela retribui o olhar.

  Aquele instante, na dor, era um momento de comunhão, talvez o mais sincero que já tiveram.

  Ela queria abraçá-lo, ele queria beijá-la.

  Mas não, já estavam decididos.

  A porta se abre, ele passa por ela.

  Um portal que divide dois mundos, duas épocas.

  A porta fecha.

  – Se pelo menos ela pudesse sonhar os meus sonhos.

  Este conto foi feito por Paulo Carvalho.