Archive for outubro \30\UTC 2009

Bastardos Inglórios

30/10/2009

ingloriousbastards_3  Nesta quinta-feira fui assistir ao novo filme do diretor americano Quentin Tarantino, e que filme!

  A película já começa com um ar de filme antigo, com a imagem lavada e as fontes dos créditos trazem aquele ar nostálgico das antigas fitas da Metrô.

  O Filme conta a história do batalhão formado por soldados Judeu-Americanos comandados pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), que entra na frança ocupada com a missão de matar nazistas e lhes tirar o escalpo.

  Aqui temos a ultra-violência dos filmes de Tarantino que chegam a causar efeito cômico pelo exagero, tal como ocorre em Kill Bill.

  Paralelo a isso é narrado a história de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), uma proprietária de cinema que teve a família assassinada pelo Coronel Hans Landa (Chirstoph Waltz) e vê uma oportunidade de se vingar dos Nazistas.

  O filme tem um ótimo roteiro, dividido em capítulos, ele mostra as ações centrais importantes a história, não perdendo tempo em mostrar como os soldados entram na frança por exemplo, tudo segue como tópicos em direção a um desfecho magistral.

  Destaque para Chirstoph Waltz, que sem dúvida guarda o filme no bolso, ele faz o grande vilão do filme o Coronel Hans Landa, que assim como os Bastardos causa medo em seus inimigos, em especial aos judeus já que ganha  a alcunha de caçador de judeus, mas em oposição ao batalhão do Tenente Raine, ele é extremamente educado e cortês o que mostra uma frieza de gelar a espinha, deve ficar na história dos grandes vilões do cinema e o contraponto à brutalidade e falta de modos da personagem de Pitt é uma grande metáfora de que nem sempre a docilidade vem com bondade.

  A trilha sonora é do grande Ennio Morricone, e dialoga muito bem com o ritmo do filme.

  Eu sempre achei que “Cães de Aluguel” fosse o melhor filme de Tarantino, mas esse chega a disputar, quiçá vencer, a primeira obra do diretor.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

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Odisséia

30/10/2009

Tinha uma minhoca chamada Catarina.

Um dia ela saiu de casa pra passear.

Catarina queria ver o mundo.

E viver grandes aventuras.

Depois de um tempo na caminhada ela se viu numa terra árida.

Começou a se espremer e virar e tremer.

Tentando escapar da morte.

Nada.

Quando suas forças estavam quase acabando uma força mágica a salvou.

Ela estava feliz. Se sentindo abençoada.

Um contato com um ser divino.

Aí de repente Catarina sentiu uma dor.

Como se seu corpo fosse dilacerado.

Depois sentiu frio.

Estava imerso em outro ambiente hostil.

Em um fluído que dava prazer e medo.

Então viu o demônio.

E o demônio a devorou.

Conto feito por Paulo Carvalho.

Cancelamentos.

26/10/2009

  Pessoal, infelizmente não teremos mais o evento do Projeto 8 no dia 10 de dezembro, isso se deve a um desacordo com a agenda do espaço cultural, estamos a procura de um novo espaço e quamdo tivermos mais informações eu aviso a todos.

  Também não será realizada a apresentação de “A Bela e a fera” em Jaú.

  Espero retornar logo com boas notícias.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

O Fantasma de Anacleto

20/10/2009

  Maria Lúcia era uma mulher geniosa, queria ter o controle de tudo, da posição do vaso na mesinha de canto até os horários de uso da latrina, além disso era uma defensora árdua da fé em Cristo, se achava detentora da palavra de Deus e sempre que lhe convinha usava o velho bordão – “Isso não é de Deus”. Com seus controles laureados com a palavra divina ela se tornava tão inflexível que muitos achavam que seu sobrenome devia ser Teimosia.

  Já Anacleto era um pândego, boêmio e totalmente indomável, chegava a ser irresponsável já que por vezes saia atrás de leite pro menino e só tornava a casa na próxima manhã com uma garrafa de cana lá pela metade, e nada de leite.

  Os dois se conheceram no dia do casório, afinal isso era comum na época, ela que até então tinha um espírito vívido e jovem, foi obrigada a casar às pressas, já que seu pai queria vê-la longe de um querido pretendente que foi, desde sempre, o grande amor de Maria Lúcia.

  Pelo lado de Anacleto, os pais dele acharam por bem que ele se alinhasse numa esposa de família, afinal de todos os quatro irmãos ele era o mais arredio e gostava de passar todo o tempo na fazenda da família, onde ficava longe de censura e podia andar por aí descalço em busca de aventuras rurais.

  Acontece que um dia, quando já estavam a uns bons nove anos de casados e três filhos, um de oito, um de cinco, e um de seis messes, Maria Lúcia tinha arrumado os filhos pra ir à missa penteado um por um, conferido o alinhamento da camisa dos dois meninos, que eram os mais velhos, e agasalhado a neném. Nesse dia ela estava com um peso na consciência, porque na véspera ela tinha brigado com Anacleto e desejado a morte do esposo, ele por sua vez disse que se tinha algum prazer no casamento era o de atormentar Maria Lúcia e que mesmo morto viria atrás dela perturbar-lhe o sono, sabia ele do pavor que ela tinha por fantasmas.

  Anacleto saiu de casa, bravo, trajando um casaco grande e seu velho chapéu de feltro, até a hora em que ela foi à missa com os meninos não sabia do paradeiro do marido.

  Ele só voltaria pra casa quando ela estivesse vazia, sabia que a mulher sempre ia à missa e não teria que ouvir aporrinhação, chegou em casa, confirmou que estava só, retirou o casaco e o chapéu deixando no mancebo da entrada, tomou um banho rápido, colocou outra roupa e saiu de novo à rua.

  Quando Maria Lúcia chegava em casa vindo da missa viu um homem de pé próximo a janela de sua casa, reconheceu as roupas do marido, mas estranhou que ele estivesse em pé de costas no escuro, resolveu chamar-lhe pra que ele abrisse a porta, nada, nenhuma resposta, chamou de novo, nada.

  “Isso não é de Deus, um fantasma!” – E começou a suar frio, se sentiu culpada, ela tinha desejado a morte do marido, é preciso ter cuidado com o que se deseja. “Ninguém entra nessa casa com esse fantasma dentro”, os meninos começaram a chorar com medo do fantasma anunciado pela mãe, deu a neném pro mais velho e disse que com a ajuda de Deus ia resolver a questão.

  Ela tomou coragem, colocou-se em posição de guerra e começou a exorcizar o “fantasma” – “Saia daqui alma penada, que Deus está com nós”, nem assim o fantasma se mexeu, tentou outra evocação – “Que o sangue de Cristo e o manto de Maria nos livre da assombração”, de novo não houve respostas, finalmente num último apelo a nobre beata disse a alma penada – “Mas nem depois de morto você me ouve Anacleto, isso não é coisa de Deus”.

  Como nada surtiu efeito, ela resolveu sentar-se à porta, à espera que o fantasma de Anacleto se cansasse e a deixasse entrar. Acordou na manhã seguinte com uns cutucões no braço, ao abrir os olhos o coração quase lhe sai pela boca “Valha-me Deus que o fantasma quer me pegar”, Anacleto coçou a cabeça e a olhou com estranheza – “Mas que diabos você ta falando mulher?” Ela sem entender nada se levantou e perguntou – “E o fantasma na janela?”, ela olhou e viu novamente o casaco e o chapéu  – “Ainda ta lá, olha, de pé”, Anacleto olhou viu as roupas que deixara no dia anterior e já abrindo a porta e pondo os meninos cansados pra dentro disse – “Deixa de ser louca mulher, agora cê tem medo de casaco?”.

  Quando percebeu o erro que tinha cometido ela só conseguiu dizer – “Isso não é de Deus, quem foi que mudou esse mancebo de lugar?”.

 Esse conto foi feito por Paulo Carvalho.

Nova data definida.

20/10/2009

  Definimos a nova data e local do proximo evento do Projeto 8, será dia 10 de dezembro as 20h00 no Centro Cultural Rio Verde.

  O espaço fica na rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena – São Paulo – SP

  Pela primeira  vez o evento terá um tema, que é: “Arte na Metrópole”.

  Os artistas que tiverem interesse em participar entre em contato através do email: contato@projeto8.com.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

A Pedra e o Lago no Sesc SJC

13/10/2009

 Dia 24 de outubro tem apresentação do espetáculo que eu dirigi “A Pedra e O Lago” no Sesc SJC as 20h00, os ingressos são gratuitos e devem ser retirados com uma hora de antecedência.

  Este artigo foi feito por Paulo Cavalho.

novas apresentações da Bela e a fera.

12/10/2009

  Estou em turnê com o espetáculo “A Bela e a fera”, como já havia comentado aqui, com as datas e horários, além dessas apresentações teremos mais duas:

  Dia 30 de outubro em Jaú, as 20h00 no teatro municipal.

  Dia 15 de novembro em Araçatuba, as 20h00 no teatro municipal.

  Ilustro este artigo com uma imagem minha com o Pai da Bela.

 

 

Sesi-Santos-11

Este Artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Show Sambossa

09/10/2009

Sexta-Feira dia 16 de outubro à partir das 23 horas Show do Sambossa no Magnólia Villa Bar a partir das 20 hs show da dupla Marcia Torres & João Lúcio. Venha curtir boa música brasileira e pestigiar nosso trabalho.

Couver: R$ 18 no dia para assistir aos dois shows.

 Convites antecipados à venda: R$ 15,00.

 Através dos telefones – 2309-6910, 8190-8309 ou pelo e-mail contato@sambossa.mus.br

Rua Marco Aurélio, 884 – Vila Romana /Lapa – SP

Acesse:www.magnoliabar.com.bre saiba como chegar.

Acesse:www.sambossa.mus.br

Vício de Bastião

07/10/2009

  Bastião gostava da Negra Jussara, não como os outros homens do povoado que se esbaldavam pelo corpo da mulata, quando visitavam a rua das flores. Bastião se apaixonara.

  Ele nem se preocupou com o espanto do povo que lhe dizia que ela era mulher da rua e não se deve levar este tipo de mulher pra mesma casa onde se beija a mão da mãe.

  Bastião não ouvia nada disso e chegou quase a matar um quando este na birosca fazia troça de Bastião e disse que ele amava uma marafona de beiço largo.

  Um dia bastião se arrumou, vestiu um terno de linho branco que tinha conseguido de um mascate, engraxou os sapatos, fez a barba, banhou-se, comprou um maço de rosas e um anel prateado, e foi ter com Jussara.

  A Negra, que não chegava a dar confiança aos comentários das gentes sobre o amor de Bastião, não pode conter o riso quando viu seu pretendente engomado em um terno que mal lhe cabia, quando se conteve viu que o homem, vermelho, tentava balbuciar-lhe algumas palavras de amor, lhe estendeu o buque, mostrou o anel e lhe propôs casamento, nesta hora a expressão de Jussara mudara, seu rosto se endureceu e por um instante ficou a encarar bastião, que sentia o coração lhe espremer a respiração – “Saia e não volte mais aqui”. Dizendo isso ela se retirou, deixando Bastião com um vazio na alma e uma dor no peito, os olhos se encheram d’água a língua secou e assim derrotado, ele foi-se embora.

  Os dias se arrastavam, nas noites não encontrava o sossego do sono, a comida perdera o gosto.

  Um amigo tentou lhe animar dizendo que as mulheres são todas loucas e com o tempo outra cabrocha viria lhe amansar as dores, mas ele não podia ouvir cego que estava com o vício do amor.

  Resolveu parar com o sofrimento e encarar novamente Jussara, ele precisava de uma explicação de um motivo para a rejeição, juntou algum dinheiro e foi até ela como qualquer outro pagou pela atenção dela, que quando ia se despir foi impedida por Bastião, perguntava por que, ela então sem virar-se disse que nunca se casaria com um homem tão fraco e miserável como ele, continuou a despir-se e quando virou encontrou o quarto vazio sem o pobre apaixonado a lhe olhar com suspiros de um adolescente.

  Desta vez Bastião não sofreu, havia decidido provar que se tornaria o homem digno para Jussara, arrumou logo um emprego como peão numa fazenda próxima, e com o tempo descobriu um curso de alfabetização noturno que a professora resolveu dar aos adultos do lugar.

  Bastião era uma potência, logo foi promovido a capataz depois de um tempo passou a freqüentar um curso técnico nas segundas-feiras na cidade, comprou seu primeiro cantinho de terra e a força do seu trabalho e dedicação ia aumentando patrimônio, foi o primeiro da região a trocar o carro de bois por um trator, coisa que foi encarada como uma extravagância já que suas terras não eram tão extensas, mas logo percebeu-se a esperteza da idéia quando Bastião começou a alugar o trator para os pequenos fazendeiros do lugar.

  Durante esse tempo todo Bastião regularmente mandava presentes a Jussara, junto de cartas açucaradas com promessas de amor.

  Mesmo não obtendo resposta Bastião não se intimidava, acreditava que ela não sabia ler e por isso não lhe respondia, ou talvez ainda não o achasse suficientemente digno, de qualquer forma encarava o envio regular de cartas e presentes uma profissão de fé ante esse amor perseverante.

  Um dia achou que estava pronto pra Jussara, vestiu um terno elegante, que havia mandado fazer na capital, um chapéu de couro, montou seu melhor alazão e foi atrás da Negra na esquecida Rua das Flores, encontrou uma Jussara envelhecida pelos anos de diferentes homens e pior, estava com o rosto ferido, quis saber o autor da agressão ela nada falava só pediu que ele a acompanhasse ao quarto, se despiu e mostrou ainda um belo corpo, Bastião não se conteve com a saudade que seu corpo sentia de mulher, terminado o ato ela se vestiu e deu seu preço, Bastião não podia acreditar, talvez ela não o tivesse reconhecido, explicou quem era e o porque de estar ali, ela só repetiu o preço.

  Bastião pagou, e a olhou, não mais com tristeza pela rejeição, mas com pena daquela mulher gasta pela vida, se vestiu, pagou a conta e foi saindo. Passou por um jovem nervoso que parecia não conhecer mulher, lembrou-se de si alguns anos antes e foi-se embora atrás de uma outra ilusão para preencher-lhe os dias.

  Este conto foi feito por Paulo Carvalho.

Persépolis

06/10/2009

  persépolisPersépolis é o nome da animação baseada nos quadrinhos homônimos da autora Marjane Satrapi. Trata-se de uma autobiografia, que narra o amadurecimento da autora em meio as transformações vividas no Irã, sua pátria.

  O filme narra com uma doçura incrível desde de a ditadura do Xá, até a opressão do governo Islâmico.

  Marjane é filha de pais comunistas e libertários que sofrem perseguições por suas idéias próprias, mas a avô da heroína acaba roubando a cena mostrando uma dignidade impar e uma força que só Mulheres fabulosas demonstram.

  O traço dos desenhos é simples e arredondado o que dá um ar de “graça” a película, mesmo tratando de temas tão sérios e com esse efeito dicotômico Marjane consegue um lirismo melancólico, sem contudo ser pessimista.

  O filme foi dirigido pela própria Marjane ao lado de Vincent Paronnaud, e vale cada segundo que gastamos ao assisti-lo