Archive for the ‘Críticas’ Category

Ladrões de Bicicleta

17/11/2009

 

 Ladrões de bicicleta é um clássico do Neo-Realismo italiano com direção de Vittorio de Sica.

  O Neo-Realismo foi uma escola de cinema que surgiu após a segunda grande guerra, sendo que o tema da miséria e dos limites do homem estão presentes, outro ponto é a substituição de atores profissionais por amadores que vivem uma realidade próxima aos personagens e com isso conseguem uma interpretação muito autêntica.

  Este filme conta a história de Ricci, um desempregado que consegue um emprego de colar cartazes de cartazes, porém para o trabalho é exigido que se tenha uma bicicleta, já que será necessário andar por toda a cidade colando a cara de estrelas do cinema americano, para conseguir a bicicleta a esposa de Ricci, Maria, decide penhorar os lençóis da família, tudo corre bem até que no primeiro dia de trabalho a bicicleta é roubada, a partir daí a uma busca desesperado do herói atrás do seu instrumento de trabalho.

  O filme consegue contar essa história de maneira bem poética e é impossível não nos sensibilizarmos com o drama de Ricci, aliás Ricci é só mais um de um grande painel social que é muito bem desenhado ao longo do filme, a sensação de insatisfação social está presente e vemos aqui e ali comícios de trabalhadores, assistência social e outros indicadores sociais da miséria, como o mercado negro de bicicletas.

  Após mostrar a situação dos personagens, a película mostra um sentimento positivo, tudo é cheio de esperança em um mundo melhor, e a trilha sonora ajuda em muito pontuando o filme com toda a matiz emocional que o filme percorre.

  Outro destaque é o pequeno Bruno, de no máximo dez anos, ele é o filho mais velho do casal, o outro é um bebê, e está com o pai durante toda a busca.

  A busca pela bicicleta é a busca pela dignidade e nesta procura o homem chega até as últimas conseqüências e o sentimento de impotência e derrota é difícil de degustar.

  Enfim fica essa dica de um belo filme.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

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Persépolis

06/10/2009

  persépolisPersépolis é o nome da animação baseada nos quadrinhos homônimos da autora Marjane Satrapi. Trata-se de uma autobiografia, que narra o amadurecimento da autora em meio as transformações vividas no Irã, sua pátria.

  O filme narra com uma doçura incrível desde de a ditadura do Xá, até a opressão do governo Islâmico.

  Marjane é filha de pais comunistas e libertários que sofrem perseguições por suas idéias próprias, mas a avô da heroína acaba roubando a cena mostrando uma dignidade impar e uma força que só Mulheres fabulosas demonstram.

  O traço dos desenhos é simples e arredondado o que dá um ar de “graça” a película, mesmo tratando de temas tão sérios e com esse efeito dicotômico Marjane consegue um lirismo melancólico, sem contudo ser pessimista.

  O filme foi dirigido pela própria Marjane ao lado de Vincent Paronnaud, e vale cada segundo que gastamos ao assisti-lo

A General – Buster Keaton

29/09/2009

large_buster_keaton_general  O filme “A General” de Buster Keaton, figura constantemente nas listas de melhores filmes da história do cinema, e atesta a genialidade de Keaton.

  A história narra a aventura de Johnnie Gray (Keaton), um engenheiro, maquinista da grande Locomotiva “General”, Johnnie, se vê desprezado por sua amada Annabelle Lee (Marion Mack), quando ele é rejeitado pelo exercito dos confederados, durante a guerra civil. Tudo muda quando sua locomotiva é sequestrada juntamente com Annabelle pelos soldados da união, a partir dai o filme se divide em duas partes, o resgate dos dois amores de Johnnie, e a fuga dos heróis pelas linhas inimigas, até culminar no embate que dá a vitória aos confederados e o título de herói para Johnnie.

   Um fato curioso é que essa história é baseada em um fato real, porém o maquinista era do outro lado da guerra, Keaton achou que colocando o personagem do lado dos perdedores conseguiria uma melhor empatia do herói com o público.

  buster_lEsse filme também tem a cena mais cara do cinema mudo, na sequência em que uma locomotiva real despenca de uma ponte em chamas. Foi utilizado uma locomotiva real.

  Mas, o que realmente vale a pena nesse filme é o trabalho magistral de Keaton que constrói um personagem muito bem desenhado onde a famosa expressão imutável do “Palhaço que nunca ri” cabe como uma luva, a narrativa é brilhantemente construída eu chego a arriscar disser que este é o melhor filme de ação de todos os tempos, além de uma magistral comédia. Orson Welles disse: pouquíssimos filmes igualaram-se a este, nenhum que abordasse o tema”. Também é ótima a atuação de Marian Mack, lembro de uma passagem onde os heróis estão descarregando madeira para atear fogo a ponte e Annabelle joga um pequeno graveto ao invés de um tronco, a reação de Keaton é impagável, essa é só uma das ação da heroína que faz com que Johnnie queira estrangulá-la pelo pescoço, coisa que em determinado momento ele faz, logo depois transformando aquilo em carinho e dando um beijinho. 

  Enfim, é um filme obrigatório pra quem gosta de cinema e mais uma grande obra como só os grandes palhaços do cinema sabem fazer.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Trago Comigo

08/09/2009

direcoes_tragocomigo Trago Comigo é uma minissérie, produzida pela teve Cultura, que faz parte do projeto Direções III.

  A série conta a história de Telmo Marinicov, um renomado diretor Teatral, que fez parte da luta armada contra a ditadura militar.

  Durante uma entrevista para um documentário, Telmo se dá conta que não se lembra de uma parte do seu passado, mais precisamente a figura de Lia.

  Logo depois, ele é convidado à dirigir uma peça para a reinauguração de um antigo teatro que estava fechado a algum tempo.

  Telmo então começa a dirigir improvisações que o levam a relembrar o passado e retirar esqueletos que há muito habitavam o seu armário.

  A minissérie foi dirigida por Tata Amaral, sendo muito interessante. Além de ser uma boa investigação do universo teatral, e demonstrar a força que a poesia da cena têm como elemento transformador, a minissérie nos relembra deste importante período da história do Brasil, fazendo ao mesmo tempo um questionamento: Quando teremos justiça pelos mortos e torturados da ditadura?

  Paralelo a história nos são apresentados depoimentos de ex-membros da luta armada, que nos mostra que não se trata de mera ficção e que a ferida continua aberta.

  As atuações estão ótimas, principalmente a de Carlos Alberto Riccelli, que vive um Telmo visceral.

  Devo destacar também a bela direção de arte feita pelo cenógrafo e arquiteto J. C. Serroni.

  A minissérie pode ser vista on-line no seguinte endereço: http://www.tvcultura.com.br/direcoes/trago-comigo

  Fica então mais uma dica de um belo trabalho brasileiro.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Mon Oncle

02/08/2009

  Hoje vou falar deste grande filme de Jacques Tatimononcle, pra quem não sabe Tati foi um ator, mímico e cineasta francês, com certeza é um dos grandes palhaços do cinema ao lado de Chaplin e Buster Keaton.

  O filme chegou a ganhar o Oscar de melhor filme em língua estrangeira em 1959, e o grande prêmio do júri em Cannes no ano de 1958.

  “Mon Oncle”, que em português quer dizer “Meu Tio”, narra as desventuras de Monsieur Hulot, personagem que Tati reinterpreta em vários filmes. Neste em específico Hulot é tio de Gerald Arpel, filho de um casal totalmente alienado em seu mundo tecnológico.

  A forma como Tati constrata a simplicidade do atrapalhado Hulot com a futilidade “sofisticada” do casal Arpel é muito interessante, ele usa por exemplo o símbolo de ligar e desligar a fonte, a cada vez a campainha toca, como um exemplo da superficialidade a que este casal está imerso.

  Em meio a tudo isso o pequeno Gerald, parece ser a figura mais sensata sendo apenas uma criança, que nada entende de máscaras sociais, e está constantemente enfadado, com exceção do tempo que passa com o tio.

  A interpretação clownesca de Tati é muito bem desenvolvida, o personagem tem apenas uma fala em todo filme, ponto para a formação de mímico do ator.

  Outro ponto muito interessante a forma como o cineasta retrata a vila onde mora Hulot, com muita vida e alegria, música, brigas e cachorros, novamente em oposição a estéril pequeno burguesia do casal Arpel, um ponto bacana de se perceber aqui é a ligeira homenagem que Tati faz a Chaplin e Keaton como podemos conferir na imagem abaixo.

chaplinekeaton

 O filme pode ser visto na integra no youtube, deixo aqui a primeira parte, o restante será fácil encontrar a partir da primeira.

  Então fica aqui, mais essa dica de um belo filme, que com certeza irá acrescentar muito a quem o assistir.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Hamlet e o filho do padeiro

27/07/2009

  padeiroAcabei de ler este belíssimo livro e devo dizer que o devorei, faminto que estava para saber mais do mestre Boal.

  O livro narra a história de Augusto Boal desde as suas raizes familiares, até fins do ano de 1999, época em que o livro foi escrito.

  Boal foi o artista brasileiro com maior expressão internacional no campo teatral, seu teatro do oprimido esta em mais de 50 países como comentei em outra ocasião.

  O livro tem uma escrita agradável e é quase impossível não se identificar com o mestre em momentos como os quando ele narra discussões dele, com ele mesmo.

  Eu me emocionei em diversas partes, como quando ele ouve de John Gassner: “Mr. Boal, you are a playwriter!”, ou quando recorda com carinho da compaixão que os amigos lhe tiveram, nos dificeis tempos da ditadura.

  É com certeza um livro essencial pra quem quer entender não só a história do teatro do brasileiro, mas também toda a geração de artistas da qual Boal fazia parte.

  E um detalhe muito bom é que só paguei R$10,00 no livro, na livraria cultura do cojunto nacional.

  “Pra mim, a Palavra é um ser vivo. Ao escrever este texto, sinto alegria sensual, corporal, vendo as palavras fugindo dos meus dedos e reaparecendo, alegres, na tela do computador. Quando saem de mim, da minha cabeça e do meu sangue, primeiro me miram e se deixam ver, em humano diálogo com a tela; depois, pedem licença: vão partir. Em busca de alguem: você, leitor. Palavras são amigas que buscam novos amigos.”
                                                                                                                        Augusto Boal.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Trilogia Saura-Gades.

29/06/2009

  Carlos Saura grande cineasta espanhol junto com Antônio Gades, bailarino, sendo um dos principais nomes da história da dança flamenca, morto em 2004, nos presentiaram com esta belíssima trilogia, obrigatória para todos que gostam de um bom cinema e de dança.

Bodas de Sangue 

Tudo começa com “Bodas de Sangue”,  filme de 1981, que é a transposição para a tela do balé criado por gades em 1974, mas não se trata aqui apenas de um espetáculo filmado, Saura tem todo um apuro na linguagem cinematográfica, as tomadas de câmera e a montagem são muito interessantes e nos dão um filme vibrante, neste filme não há falas, pelo menos após a história de Lorca efetivamente começar, já que nos é mostrado toda a preparação dos bailarinos antes de se iniciar o drama, e esta ausência de diálogos permite concentrarmo-nos na força dos movimentos da dança, que passam todas as emoções da trama forma absolutamente envolvente.

Carmem

  Neste filme, de 1983, nos é mostrado um elenco de uma companhia de dança, montando o espetáculo Carmem, com base na ópera de Bizet, aqui Gades interpreta a sí próprio, como coreógrafo e protagonista do drama, que aos poucos se mistura com sua própria vida e uma Carmem faz de sua vida um vendaval emocional. Nesta película assim como na anterior temos o uso da meta-linguagem como elemento importante para o filme, o que resalta uma apresentação com elementos brechtinianos, isto é aliás uma marca presente em toda trilogia.

Amor Bruxo

  Dos três este é o único fime que nos apresenta a história diretamente, sem mostrar a preparação do elenco, como em “Bodas de Sangue”, ou uma trama paralela como em “Carmem”, aqui o filme conta a história, baseada na peça de Manuel de Falla, sobre um cigano que se apaixona por uma mulher assombrada pelo fantasma do ex-marido, mas a meta-linguagem está presente na cenografia, o cenário é todo construído como se fosse de uma peça teatral, utilizando-se inclusive de um cliclorama, o que gera efeitos belíssimos.

  Bom fica a dica destes ótimos filmes e aproveitando para indicar também o filme “Goya” do mesmo diretor.

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

O Lutador

16/06/2009

  Esta semana assisti ao filme “O Lutador”(The Wrestler), filme marcado pela 200px-The_Wrestler_posteratuação de Mickey Rourke, cuja história de vida, dizem, se confunde com a do personagem, o filme é ótimo, e a atuação de Rourke realmente mereceu o Globo de ouro que recebeu, bem como a indicação ao Oscar.

  O filme conta a história de Randy “The Ram” Robinson, um lutador profissinal de luta-livre, sim aquelas lutas combinadas com sujeitos gigantes pulando um sobre o outro, eu particularmente acho estas lutas muito engraçadas, mas o filme em si é sério, aliás bem sério, Randy já é um lutador veterano e logo ao início do filme sofre um infarto e faz um ponte de safena, o que impossibilita-o de continuar lutando, é importante resaltar que as lutas que Randy enfrenta não são mais tão gloriosas como no ápice de sua carreira, ao contrário são lutas realizadas em clubes locais, sem transmisão ao vivo, ou de qualquer tipo, é como o cara que jogou na seleção terminar a carreira em um time de várzea.

  Mas isto é tudo que Randy tem, sua vida pessoal é com o perdão da má palavra, “uma bosta”, não tem família ou namorada e seus amigos são os colegas de ringue ou as crianças do bairro onde mora, além de viver sempre sem grana.

  Mas aqui vemos novamente que o ‘Loser” americano é muito mais interresante que o “Winer”, Randy com toda a sua roupa colorida é muito mais humano que o gerente do supermercando onde trabalha pra completar a renda.

  Uma cena que gostei muito é quando Randy em um momento de solidão chama um menino da vizinhança para jogar video-game com ele, um nintendinho velho de 8 bits, com um jogo em que o próprio randy estrela, nota: este jogo, criado para o filme, funciona de verdade em um video-game, o menino joga com Randy, ao mesmo tempo que comenta de “Call of Duty 4”, um jogo de guerra, Randy faz uma cara que ao mesmo tempo é de desolação e confusão perante o comentário do garoto, sem perceber ele acabou de humilhar Randy, até porque nosso herói é o próprio video-game, velho e esquecido, mas que já teve seus dias de glória, e quando ele tem um momento de triunfo ganhando do menino no jogo, o garoto simplesmente se cansa e sai deixando Randy novamente só.

  Aliás solidão é uma constante no filme chega a ser sufoante.

  Bom fica a dica deste filme pra quem quiser conferir.

  Lembrando sábado agora, dia 20 de junho, tem evento do 8 no Bar do Santa, espero vocês lá, mais informações: www.projeto8.com , hoje fomos lá instalar a iluminação pra exposição, “Que Ttrabalho!”

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Sonho de um homem ridículo

11/05/2009

  No último sábado, dia 09/05/2009, tive a oportunidade de apreciar uma bonita interpretação de Celso Frateschicapa_40, pra quem não sabe ele já foi secretário municipal de cultura da cidade de São Paulo, durante essa época ele recebeu várias críticas, como aquela que diz que ele acabou com todo o teatro amador da cidade, pois dava suporte exclusivo ao seu projeto “Teatro Vocacional”, também já foi presidente da FUNART e hoje é secretário municipal de cultura em São Bernardo. Alguns podem se lembrar dele como o “anjo” da novela “Beijo do Vampiro”.

  Mas não é por nenhum destes motivos que quero falar sobre Celso Frateschi, mas sim pelo seu grande talento artístico, Frateschi que já teve como mestre Antônio Abujamra, sem dúvida é um grande ator, dotado de uma técnica apurada, ele já figura há muito tempo como um dos grandes atores dos teatros paulistas e brasileiros.

  O Espetáculo “Sonho de um homem ridículo”, é baseado num conto homônimo de Fiodor Dostoiévski, e devo dizer que o texto, nesta peça, sem dúvida é um dos pontos altos, mais um ponto para Frateschi que é responsável pela dramaturgia, que está sendo considerada muito fiel ao texto. A direção fica a cargo de Roberto Lage, e é muito honesta, sem muitas invencionices, o diretor sabe do ator que tem e dá espaço para um monólogo bem acertado, mas a melhor coisa desta direção é como Roberto Lage harmonisa os elementos do espetáculo, o figurino, o cenário, a iluminação estão trabalhando em uníssono para dar todo o suporte a performance e principalmente ao texto.

  O cenário é um espetáculo a parte, composto por pilhas de livros processuais, que vão até o urdimento, um leve papel de parede em tom pastel, e a divisão do palco em três níveis, na verdade são dois níveis e uma porta no centro do nível superior com um quartinho escuro dentro.

  Os elementos de cenas também são bem acertados, excetuando talves uma bacia com água, que fica no chão a esquerda do palco, em alguns momentos a luz que se reflete na bacia é usada para iluminar o rosto do ator, o que dá um efeito interresante, mas já batido e um pouco mal realizado, embora a principal função da bacia seja recolher as gotas que caem de um aparato, que lembra um lustre, e serve pra frisar uma certa constância, alias o irremediável pingar da gota é citado no texto.

  020409_mc1Outro elemento interesante é um painel com uma pintura bem simples, formadas por linhas, que serve de tela para projeções que funcionam principalmente como elemento de iluminação cênica, já que em apenas um momento é projetada uma imagem clara, sendo que no restante do espetáculo, as projeções auxiliam a iluminação a encontrar o tom certo para cada momento e sentimento que o espetáculo queira realizar, alías apesar de ser uma adaptação de conto, sendo uma narração que a personagem nos relata, este espetáculo é bem Aristotélico, ou seja, nós realmente experimentamos uma catarse, sim porque os acontecimentos se sucedem de maneira tão lógica, natural e emocional, que em momento algum conseguimos nos questionar se o que está sendo dito é certo, para nossa sorte a mensagem da peça é uma importante reflexão, e é isto o que fica para nós espectadores ao final do espetáculo, fazer um balanço do que foi dito, já que durante a peça é impossível qualquer análise distanciada.

  Eu particularmente me vi envolvido em um caldeirão de sentimentos, e cheguei a sentir vergonha de minha prepotência e da prepotência de toda a raça humana, não porque eu seja naturalmente prepotente, pelo menos acho que minha vaidade e prepotência estão em um nível aceitável, mas por todo orgulho que temos a nossa lógica e razão e por desprezarmos a boa inocência que reside dentro de nós, esta mesma inocência que esta contida na alma do palhaço.

  Agora segue com vocês a sinopse do espetáculo, informações sobre a montagem e o serviço tais como estão no site do teatro Ágora (http://www.agorateatro.com.br/agorateatro/?page_id=178) :

homem_ridiculoSINOPSE

Peça baseada no conto de Dostoiévski. Segunda metade do século XIX. Um homem do subterrâneo. Cenário e personagem típicos do autor russo, um dos principais narradores da alma humana. Nosso herói sabe que é ridículo desde a infância – motivo de desprezo e zombaria de seus semelhantes- e já não tem mais nenhum interesse na continuação da sua existência. Num dia inútil como todos os outros, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de meter uma bala na cabeça, foi abordado por uma menina que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta aos berros. Ao voltar para casa, não consegue dar fim a sua existência. Adormece e sonha. Ele narra como conheceu a verdade em toda a sua glória e mostra como tudo aquilo deve ter sido real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num sonho.

A MONTAGEM

A adaptação se preocupa em manter o texto original de Fiódor Dostoiévski, que faz parte do livro Diário de um Escritor, publicado pela primeira vez em 1877. Propõe um espetáculo que explora o essencial das questões humanas de Dostoiévski, estabelecendo um diálogo direto com o contemporâneo. Sua arquitetura cênica é construída a partir da rua, do cortiço, do paraíso e do inferno – elementos da obra-, numa composição que sugere o onírico, onde o sentido do sonho é recuperado através do espanto ao colocar em um mesmo plano, o imaginário do contemporâneo e a infância da humanidade. O real e o sonho se justapondo em um diálogo permanente durante o jogo cênico. O ator solitário em cena é uma opção estética inerente ao tema, que aborda a solidão e a sua superação.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e interpretação: Celso Frateschi
Direção: Roberto Lage
Cenário e figurino: Sylvia Moreira
Corpo: Vivien Buckup
Luz: Wagner Freire
Trilha sonora: Aline Meyer

SERVIÇO

Data: de 03 de abril até 21 de junho
Horário: sexta e sábados às 21h, domingos às 19h
Duração: 75 minutos
Capacidade: 80 lugares
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Recomendação etária: 12 anos
Localização: Ágora Teatro – Sala Gianni Ratto

  E antes de ir embora vou deixar com vocês o endereço do blog do Frateschi, bem como o conto original de Dostoiévski.

Blog do Celso Frateschi:
http://bravonline.abril.com.br/blog/celsofrateschi/

Neste site você pode ler o conto on-line ou se cadastrar gratúitamente pra poder baixá-lo:
http://www.scribd.com/doc/7331832/Dostoievski-O-Sonho-de-Um-Homem-Ridiculo

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Nesta Data Não Tão Querida

12/04/2009

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  Hoje eu vou falar um pouquinho de um espetáculo em que eu faço a operação de luz e som, uma coisa que é importante comentar antes de falar da peça propriamente dita, é que a Cia. “A Filha da Mãe”, é um grupo vindo do interior, assim como eu, e vem trazer seu espetáculo pra São Paulo sem nenhum patrocínio, contando apenas com alguns apoios de restaurantes como O pedaço da pizza, Planeta’s e Cantina Luna di Capri.

  É importante resaltar isso porque demonstra o comprometimento e paixão do grupo com o fazer teatral, pois assumindo os riscos, com recursos próprios, eles não seriam loucos de apresentar um espetáculo sem um mínimo de verdade e genuinidade.

  Não que isso represente algum amadorismo por parte do grupo, pelo contrário Elaine Maturano que faz a filha fez curso no Globe-SP, a mãe Ana Maturano está no exercício do palco a bastante tempo e o diretor Massayuki Yamamoto, tem bastante experiência já tendo trabalhado inclusive com espetáculos mainstream com atores globais.

  Mas vamos a peça: “Nesta Data Não Tão Querida” é um espetáculo denso baseado em um conto de Lygia Fagundes Telles, é curioso que tanto no texto como na vida real trata-se de mãe e filha, o que torna a comunhão entre as atrizes muito boa, o espetáculo já tem um bom tempo de estrada sendo esta a segunda temporada em São Paulo, a anterior foi no Espaço dos Insights.nestadats1 

  O espetáculo está em cartaz no Teatrix  – R. Peixoto Gomide, 1066 – Jardim Paulista – São Paulo – SP. Tel: (11) 3285-0939, sempre aos sábados as 21h30 até 25 de abril – Ingressos à R$30,0o (meia entrada para estudantes, idosos e profissionais da área).

   Bom pra finalizar este artigo eu ofereço minhas sinseras palmas pra estas duas atrizes que com garra e paixão, encaram este desafio de sair da comodidade de uma região onde elas já tem respeito e espaço adquirido e enfrentar este mercado muitas vezes cruel que é São Paulo.

  Agora segue a sinopse do espetáculo: “Nesta Data Não Tão Querida”.

  Drama de Edson Gory, Baseado no conto “A Medalha”, de Lygia Fagundes Telles, conta a história de Veridiana e Adriana, mãe e filha, respectivamente, que moram juntas, mas vivem uma relação marcada por segredos do passado, que as assombram e as impedem de viver plenamente. Para essas duas mulheres sobreviventes, parece não existir uma saída ou um futuro, apenas um dia após o outro.

  O casamento de Adriana é o elemento catalizador para que esses segredos venham à tona, segredos repletos de mágoa, culpa e inesperadamente, amor. Será tarde demais para repara os erros do passado? Redenção é o único desejo destas duas mulheres desesperadas por viver, mas ao mesmo tempo cansadas da vida.

  De Edson Gory, com Elaine Maturano e Ana Maturano, Direção Massayuki Yamamoto.

Ana Maturano e Elaine Maturano

Ana Maturano e Elaine Maturano

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.