Retomada

16/11/2010

Olá, já faz muito tempo desde meu último post, muitas coisas aconteceram neste tempo, me casei (nada formal mas na prática dá no mesmo), tornei-me um entusiasta do software livre, e o Projeto 8 acabou.

É uma pena, mas a verdade é que o projeto como evento coletivo artístico nos dava um trabalho absurdo e quase nenhum resultado. Claro as festas em si eram muito bacanas, mas não conseguimos gerar nem a discussão e nem o comprometimento desejado entre os artistas.

Não podemos negar que também aprendemos muito desde questões técnicas de como dispor as luzes das exposições e fazer um bom evento com pouco grana.

Mas todo este bla, bla, bla, só me serve para explicar que estou retomando o blog mas com uma diferença, agora será apenas como um blog pessoal. Sem a pretensão de ser a voz de algum projeto ou um veículo exclusivamente cultural.

Pretendo falar de tudo o que me der vontade sendo arte ou não.

Pra começar e deixar de enrolação e papo chato, vou dar uma dica de outro blog, trata-se do http://blogdodesenhador.blogspot.com/ blog do desenhista Mozart Couto, artista muito conhecido no meio dos quadrinhos e também por seus cursos e manuais de desenhos facilmente encontrados nas bancas de jornal, o detalhe curioso aqui é que ele se utiliza da ferramenta GIMP que é um programa de edição de imagens bitmap gratuito e livre.

O espaço contém muitos tutoriais bacanas desta ferramenta e é uma prova que o software livre estra pronto pra uso gráfico profissional.

Prometo em breve um post mais detalhado sobre software livre o porque estou entusiasmado com este novo universo.

Até semana que vem.

Simples

08/07/2010

Algumas vezes só precisamos de histórias simples, como aquela brisa suave num dia quente, ou aquela bela sequência de acordes que nos fazem sentirmos mais humanos.

Em momentos assim eu sempre me lembro de um sorriso, aquele sorriso tolo, descompromissado que antevê o riso.

Eu era garoto, devia ter por volta de doze anos, e estava emburrado, tinha tomado um tombo de bicicleta e minha fiel montaria se transfigurara em terrível vilã.

Alice estava rindo, de doer a barriga, tinha visto a queda e agora troçava de mim, eu só sabia fazer aquela famosa cara amarada. “Vai ficar rindo até quando”. Esbravejei do alto de toda a minha fúria ameaçadora. Por um instante ela conteve o riso, me encarou e tornou a explodir em gargalhada.

“Pra vocês meninas é fácil, não tem de saber de nada”. O desafio fora lançado, eu sabia bem a reação que se seguiria. Até aquela época era fácil, as meninas eram todas umas bobocas com cara de enjoadas que não sabiam de nada. Deu-se a discussão, você isso, você aquilo, duvido, disputa, desafio.

“Quem descer o morro mais rápido ganha”. Montamos em nossas magrelas, fomos até o alto do morro, ninguém ousou subir empurrando a bicicleta, a teimosia ganha sempre do bom senso. Últimas provocações antes do 1,2,3 e já.

Descemos em alta velocidade, a tensão e a emoção à flor da pele o olhar obstinado, nos mantínhamos lado a lado, não é que essa menina é boa? Quase na chegada o choque, duas crianças voando, duas bicicletas no chão.

De novo não, pela segunda vez seguida meu alazão cromado me atira ao chão. Levanto pronto pra xingar, não sei como aconteceu só sei que a culpa é dela, avanço bravo, mas antes de conseguir falar ela chora, não o berreiro costumeiro das meninas, ela chora baixinho, deve ter machucado mesmo.

Ela me encara com os olhos molhados, espera que aproveite da fraqueza e tenha meu momento de vingança, mas estranho, só quero protegê-la. “Machucou?” O choro vai diminuindo eu ainda aflito olho pras bicicletas no chão enroladas uma na outra e digo: “As bicicletas tão namorando” ela olha e ri. o choro cede as gargalhadas.

Eu a levanto. “Te ajudo a chegar em casa depois busco as bicicletas”. Vamos os dois abraçados ela mancando um pouco, no dia seguinte já não teria mais nada, mas agora ela precisa de mim.

No portão da casa dela a mãe vêm toda preocupada. “Não foi nada”. Alice se apressa a tranquilizar a mãe. “Vou buscar as bicicletas agora”. Eu aviso, ela concorda e me sorri, eu sinto um comichão nas pernas, o coração bate forte. “Como ela é bonita”. Desperto, me apresso e corro feliz pras bicicletas.

Ainda hoje, sempre que preciso sorrir eu me lembro das bicicletas enroladas no chão e de como elas me ensinaram a namorar.

Este conto foi feito por Paulo Carvalho.

Scribaria

05/05/2010

  A novidade prometida já pode ser anunciada, trata-se do site Scribaria.com.

  O site é um portal literário com foco nos novos autores e ofereçe, notícias, matérias, colunas, lançamentos e ainda conta com uma parte reservada a resenhas.

  Dê uma visita e me diga o que achou.

Novidade há vista!

26/04/2010

Bom, eu sei que estou ausente e inconstante, mas estou preparando uma novidade que logo anunciarei por aqui, e promete fazer bastante barulho aguardem.

Romaria

13/04/2010

  Já escapamos do maldito por algumas vezes, hoje será o derradeiro encontro.

  A coisa começou há vinte cinco anos quando conheci Mirabel, com seus cachos dourados o rosto redondo e faceiro. Ela era prometida pro santo, devia se entregar ao convento pra mó de pagar uma promessa que fizeram a fim de alcançar a saúde da mãe em momento difícil.

  A velha nestes tempos já tinha empacotado, apesar de ter recobrado a vida na época do juramento, ela veio a falecer dois anos depois quando deu luz à prometida Mirabel.

  O pai dela, comerciante de respeito, era homem de palavra e mesmo sofrendo com a perda da mulher tava determinado a cumprir a promessa de dedicar o primeiro filho seja homem ou mulher a devoção de Santo Expedito.

  Acontece que o destino, traiçoeiro que só, resolveu prover meu encontro com Mirabel, quando nossos olhares se cruzaram as almas selaram um acordo de nunca se distanciar.

  O pai dela não aceitou que eu fizesse a corte, invés disso me escorraçou proferindo palavra que criança não deve ouvir, dizendo que ela era do santo e não de um diabo de traste como eu, e que a sua entrada no convento era a garantia de ascensão ao céu da velha mãe morta.

  Acabou-se que a solução foi a fuga, na noite determinada eu peguei meu cavalo cheguei debaixo da janela e nos mandamos embora. Ainda vimos o pai dela gritar que ela era uma excomungada e que se ela não seria do santo não ia ter direito de viver.

  Passamos então a ser caçados, Mirabel de santa se tornou herege, e o velho com seus matadores estavam sempre em nossos calcanhares.

  Lembro de uma vez em que dormimos numa pensão velha cheirando a mofo, acordamos com a barulheira que se fazia, quando percebi o homem tinha botado fogo em tudo e foi só eu espiar pela janela que um tiro passou zunindo na orelha. Dava pra ouvir o homem falando que daquela noite a gente não passava, que o fogo ia purificar aquela terra da nossa blasfêmia e mais um monte dessas coisas que dizem aqueles que são entendidos em professar o certo e o errado.

  Como escapamos daquela arapuca eu nem sei direito, só sei que se deve a esperteza deste jeca e a ligeireza do meu alazão.

  Peguei os panos da cama, enfiei na água da bacia que servia pro banho e fui mais Mirabel em direção ao fogo do lado inverso da janela, nisso eu já chamava o Rufião que era o nome do meu cavalo, só sei que nos atiramos por entre as chamas na primeira fresta de luz que se apareceu, montamos no animal foi só barulho de tiro nas costas.

  Quando conseguimos dar certa distancia nos enfiamos no meio do mato, na tentativa de despistar e tomar fôlego. Pois que aí eu avistei um pequeno casebre no meio do mato, uma luzinha miúda vindo de dentro.

  Foi então que percebi que minha amada estava ardendo em febre, balbuciava coisa sem entendimento, acabei resolvendo seguir pro casebre.

  Chamei ajuda, atendeu um sujeito baixinho com um chapéu redondo na cabeça deste igual aos que se usa nos filmes de cinema, umas roupas pretas, um certo ar de lorde, de moço educado.

  O sujeito mandou que entrássemos, indicou um colchão de palha pra que eu ajeitasse minha companheira, foi aí que eu percebi a queimadura nela, uma larga marca que ia do ombro esquerdo até perto do umbigo passando pelo seio, a blusa ainda cobria as partes dela, apesar de alguns chamuscados, eu também tinha algumas queimaduras mas coisa pouca, umas bobagens nos braços e nas pernas, pedi ao moço um bocado de água pra fazer compressa, ele me atendeu e enquanto eu tentava baixar a febre dela ele começou a falar que isso não terminaria tão logo, que continuariam a nos persegui até que alcançassem nosso fim. Eu fiquei todo espantado e olhei pro sujeito, foi quando ele disse meu nome, e disse que poderia ajeitar tudo bastasse eu dizer que queria, mas que em troca ele viria depois de dez anos em busca de sua paga.

  Eu nem sei direito o que tava acontecendo, só me preocupava com o estado da minha Mirabel, acabei por falar que ele fizesse o que devia logo, nisso o sujeito agradeceu e foi-se embora dizendo que poderíamos ficar o tempo que fosse preciso.

  Amanheceu, a febre nos deu uma trégua e resolvi que por mais que fosse perigoso eu devia levá-la ao doutor.

  Chegando lá, pediram que esperássemos, porque o doutor tava ocupado com um caso de maior urgência.

  Mirabel foi deitada numa cama com rodas e levada pra dentro eu fui me encaminhando pro lugar de espera.

  Chegando lá, uns sujeitos mal encarados se levantaram me olhando feio, eu tinha caído no meio dos matadores, por respeito ao local ficamos todos ali em posição de sentido sem se atacar.

  Depois do que deve ter sido uns quarenta minutos, apareceu o doutor dizendo praqueles moços que infelizmente o paciente não tinha resistido, o coração havia entrado em falência e não sei lá quais termos médicos, depois disse pra mim que Mirabel ficaria bem, mas deixaria uma cicatriz pro resto da sua existência.

  Depois que o doutor saiu o líder dos homens se aproximou e disse que não tinha mais assuntos para comigo, que eu seguisse minha vida em paz, ainda vi o corpo do que um dia foi o meu perseguidor. Nesta hora lembrei do sujeito baixinho que trajava preto, terá tido alguma coisa com isso?

  Quando ela se recuperou resolvemos voltar para a cidade dela, e herdamos a casa mais o comércio do pai dela.

  As pessoas nos olhavam estranhas, tinham receio em falar conosco depois de todo o ocorrido e principalmente estranhavam que Mirabel sempre usasse roupas que lhe cobriam até o pescoço, mesmo em dias em que o sol rachava o chão.

  Entretanto com o tempo as coisas foram se ajeitando, a venda começou a prosperar, a vida foi se amansando. Minha companheira se tornou mais reservada depois da queimadura, mas continuamos a nos amar.

  Começamos a tentar um filho, mas a criança não vinha, tentamos tudo quanto é mandinga, reza e nada. Dona Genoveva, benzedeira da região dizia que algo estava entrevando nosso caminho, nem ligamos, ademais mesmo sem vir criança ficar tentando era passatempo dos bons.

  Deu-se dez anos do acontecido, vieram me bater a porta tarde da noite, estranhei, fui verificar, novamente era o senhor de preto com chapéu de cinema, eu nem mais me alembrava dele. Ele sorriu e disse que era hora de acertar as contas.

  Mandei que entrasse, que se sentasse, e pedi que ele explicasse melhor tudo aquilo. Ele sorriu e disse que eu já sabia era de tudo, e no fundo era mesmo, aquela devia de ser a minha hora. Nisto ele sorriu e eu comecei a estrebuchar.

  Acordei, Mirabel olhou pra mim e disse que tudo ficaria bem, teríamos mais dez anos.

  Nos dois primeiros anos a preocupação se mantinha como praga em nossas vidas. Resolvemos ir até o santuário de nossa senhora em busca de paz, chegando lá ouvimos a missa e fomos ter com o padre.

  Ele disse que este assunto era bobagem, pois somos filhos de Deus e ele olha por nós, mas recomendou que nos casássemos de acordo com a igreja.

  Voltamos pra casa e em pouco tempo nos casamos, a vida começou a ficar mais calma, voltamos a ser felizes e a preocupação deixou de existir.

  Ao fim de oito anos ainda não tínhamos um filho e isso começou a nos apertar o peito, deixar este mundo sem nenhuma prova de nosso amor, de nossa história, faltava uma criança pra se completar a família.

  Novas vigílias, novas mandingas, mas somente a agora moribunda Dona Genoveva nos deu a solução, deveríamos consagrar a criança a Maria.

  Assim fizemos novenas a nossa senhora, e prometemos que a criança seria filho de Maria.

  Dentro de algum tempo Mirabel estava embuchada e com seis messes de gravidez o maldito voltou.

  Batidas na porta no meio da noite, não atendemos, nos ajoelhamos e começamos a orar por nossa senhora, a porta se arrebentou e o baixinho de preto entrou com seu sorriso, dizendo que aquilo era uma falta de educação para com ele, que afinal éramos nós que estávamos em dívida.

  Avancei em cima do sujeito meus joelhos perderam a firmeza e fui de cara ao chão. Só pude vê-lo se aproximar de Mirabel enquanto minhas pernas não obedeciam, foi aí que ele deu um grito, e disse que aquilo não podia ser que havíamos traído o acordo pois que uma criança consagrada não podia ser tocada.

  Olhou bem pra mim com olhos chamuscantes e gritou que voltaria dentro de cinco anos, mas que não mais nos buscaria que em cinco anos viria pegar a criança.

  Ficamos sem saber como agir.

  Tivemos um lindo menino, que encheu nossa vida de alegria e paz, mas sempre sabíamos da hora marcada.

  Agora já estou velho e começo a ouvir as batidas na porta, o menino está com a mãe. É a hora do acerto!

  O maldito está na nossa frente, só posso olhá-lo não tenho como reagir ao seu sorriso sinistro.

  Digo que ele pode me levar, que eu vou com ele se deixar minha família em paz, ele diz que não será necessário que só vem buscar a criança, Mirabel também se pronuncia dizendo pra levar nós dois e deixar o menino, eu a olho com uma angústia imensa, tem de ser assim.

  Ele novamente diz que só veio buscar o menino, imploramos que não, ele sorri e diz que quem deve decidir se vai ou não é a criança, meu filho uma criança de cinco anos sorri e o olha admirado, deve ter gostado do chapéu. Ele o chama eu grito pro menino não ir, sinto minha voz sumir no ar, a mulher só chora o menino se vai com ele.

  Agora não teremos mais descanso, sou velho, Mirabel também, mas devemos seguir nosso destino e caçar o menino, se um maldito que anda na terra veio de nosso ventre deve ser eliminado por nós, é nossa sina, nossa maldição. Devemos isso a santa.

  Deixo aqui a minha história para que sirva de aviso aos que vierem: “Cuidado com os malditos!”

  Este conto foi feito por Paulo Carvalho.

Desculpas pela ausência.

31/03/2010

Caríssimos, peço desculpas pelo abandono do blog, as coisas andam bem corridas, depois de uma temporada de muito crescimento no Fringe, eu viajei para recife, onde devo permanecer até o domingo dia 11 de abril.

Neste meio tempo a atualização do blog fica mais difícil, contudo tentarei passar aqui para deixar pelo menos uma dica cultural.

Para ilustrar este artigo eu lhes apresento uma poesia de Rolando Boldrim, aviso segurem as lágrimas.

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

A Pedra e o Lago

16/03/2010

  Amanhã dia 17 de março, o espetáculo “A Pedra e o Lago” vai se apresentar no fringe, serão quatro apresentações de 17 até 20 de março.

  Abaixo segue o folder virtual.

 

Novos Autores: Marcelo Riboni

07/03/2010

Desta vez o autor chama-se Marcelo Riboni e nos apresenta um conto:

 

Quase igual a sua vida, quase igual a sua crise sem fim.

Saindo do trabalho cruzo com uma antiga namorada, vamos a um bar para conversar um pouco. Rola um chopp, um salgadinho, um pouco de papo furado. Quando a bebida começa a mexer com o melão começo a falar da minha vida mais profundamente. Clara também já bebeu um pouco demais e estava bem solicita e aberta a sugestões. Vamos ate o apartamento novo dela. Chegando lá, eu abro uma garrafa de vinho tinto enquanto ela pega as taças. Ela bota um CD do Elvis Costello e sentamos para continuar nosso papo. Estávamos os com alguns problemas na vida pessoal e não nos víamos a alguns anos. Ela continuava a mesma pelo tom que falava, sempre tinha que ter a palavra final e muito critica em relação as minhas atitudes, eu por outro lado estava mais razoável nos meus pontos de vista. Pelo menos eu acho e como sou eu que estou contando a historia fiquemos com meu ponto de vista. Depois do terceiro copo de vinho a conversa estava assim:

– Jonas, tu nunca vai achar uma mulher que te ature. tu é sempre um coitado nas situações,  tu tem que ser mais macho. Mais homem. Mulher quer um cara mais ativo, você sempre fica chorando por tudo. “aquele atendente da locadora me olhou torto. A caixa do cinema riu de mim. O cobrador do ônibus achou que…o cara na fila do super mercado não sei o que” que saco isso. vê se cresce. Tu não é mais adolescente para ter crises deste jeito.

– Clara, isso não é mais verdade. Já passei disso. Já cresci o bastante para saber meu espaço no mundo e tu por outro lado ainda fica numas de sentimentalismo rasteiro. Por isso seu atual fica arranjando desculpas para não vir aqui. Só vem quando quer alguma coisa de você, e não é seu arroz com feijão. Sem duplo sentido, se bem que…

– ah seu cachorro, tu sempre amou meu arroz com feijão. No sentido que quiser. Ou estou mentindo?

– faltava sal, no seu feijão. Nos dois sentidos. Mas enfim, que CD é este? Não é aquele que te dei no dia que tu ficou chorando por que não conseguiu aquele emprego no colégio aquele? Como era o nome mesmo?

– ah jonas cala a boca. Aquele CD eu joguei fora quando a gente terminou. Dei para uma amiga. Não queria ter nada seu comigo. Este é o novo do Elvis Costello, baixei ele semana passada. Mas me diz, você esta com alguém? ainda não começou a reclamar dela ainda. Tu sempre vê defeito em tudo. Parece um velho, e dos bem ranzinzas. Então me fala.

– clara, conheci uma garota. Mas esta num estagio inicial, não tenho do que me queixar AINDA. Mas tu que era a fonte de muitos dos meus problemas. Tu não sabe amar direito. Sempre quer ter a “upper hand” de tudo. Me diminuía em todas as situações. Me sentia um merda ao seu lado. Me gozava na frente dos seus amigos, dos MEUS amigos. Para sua família…vai me serve outro copo deste vinho. Estou afim de me embebedar hoje. Tu me desperta este lado. Depois de você ate parei de beber quase.

– chora, chora, chora neném. Viu só como reclama? tu não sabe é ser HOMEM. Se fosse homem mesmo por que não me retrucava. Seu bunda mole. – e serve o vinho, se levanta e vai na cozinha pegar outra garrafa – sabia que todos meus amigos te achavam bicha? Tu sempre estava numas…sei lá…

– porra, é assim é? – servindo o vinho que esta quente, mas a esta altura eu já estava alto. – E tu não me defendia? E o que tu dizia para aqueles putos? Só por que eu deixava tu conversar em paz com outros caras? Isso faz de mim viado?

– mas tu é um bunda mole mesmo. Eles estavam me cantando seu babaca. E tu ficava num canto em todas as festas com um copo de cerveja na mão e me deixava rodar por ai.

– claro, eu odeio boates, não sei nem dançar um “dois para lá, dois para cá” e tu sempre queria dançar. Te deixava na sua. E de mais a mais, era para mim que tu voltava. Não para aqueles galãs ordinários de boate ou seus amigos maconheiros. Devia ser por isso que me chamavam de bicha…porra.

– tu nunca me entendeu mesmo, jonas. Eu voltava para ti por que achava que se te desse um pé na bunda tu ia te matar ou algo assim. Tu estava bem iludido na época. Era dureza. Mas também, tu não era de todo mal, só não consigo lembrar o por que de ter me apaixonado por ti.

– é eu sei como é. Também não lembro o por que fui me apaixonar por uma “control freak”, obsessiva por mandar nos outros como tu. E sempre tem que ter razão…mas, na boa, tu era bonita, nunca entendi o por que de tu ficar comigo tanto tempo.

– seu “drama queen”, já vai começar com isso DE NOVO? Eu ainda me lembro a choro que tu fazia com este assunto. “ah tu me ama mesmo? O que eu fiz para tu te apaixonar por mim”…etc. algumas coisas simplesmente SÃO. Não tem explicação.

– chega, chega, chega…acho que vou embora. Isso já esta virando sessão de analise. E estou totalmente torto de vinho. Vou chamar um táxi. Olha, sinceramente? Não foi nem um pouco bom te rever, sorte ai na sua vida e tal. Mas acho que vou embora…

Levanto e vou me dirigindo para a porta, trocando as pernas e reclamando da vida em voz alta, como que falando comigo mesmo. Quando escuto uma voz atrás de mim, totalmente embriagada também me chamar.

– jonas, seu babaca. Não te trouxe aqui para ouvir tuas historias tristes nem para reclamar do meu namorada novo. Quando te vi só parei para conversar por que tu sempre me deu um tchãm e estou meio carente. Então vem, vou te mostrar o que um sazon faz com meu arroz com feijão…

E a noite passa, o relógio bate as doze horas e tudo fica com cara dos velhos tempos. Quase igual a minha vida, quase igual a minha crise sem fim.

 

Marcelo Riboni

Evento do dia 27/02/2010

02/03/2010

  No último sábado, dia 27 de fevereiro, aconteceu o sexto evento do projeto oito. A noite foi animada e tivemos a participação de muitos artistas.  

  Começamos com curtas-metragens, o cinema finalmente teve uma participação bacana, já que o Centro Cultural Rio Verde é um lugar muito mais adequado ao evento e possui uma sala própria para projeções.  

O público confere os curtas.

  Depois tivemos duas apresentações de dança.  

Olívia Pontes

A dupla Natália Neme e seu parceiro bom de dança.

   Nesta edição tivemos a primeira participação da literatura, com leitura de textos e o lançamento do livro Fragmentos de Nana B.  

Os Autores Nana B. e Nelson Magrini junto a amigos.

  As bandas também foram muito bacanas, além da participação do já conhecido Sambossa, contamos com a apresentação do grupo liderado por Ricardinho Paraíso.  

Sambossa

 

 As artes plásticas não ficaram atrás contando com quadros gravuras e instalações muito interessantes.    

Instalação de Belissa

 E não podemos esquecer da bela esquete de André Auke, que com seus atores nos presenteou com um belo trabalho.  

Cena da esquete de André

  Bom, estamos muito satisfeitos com mais uma edição do projeto e fazemos votos pra que o Centro Cultural Rio Verde se torne um bom parceiro para outras edições.  

  Veja mais fotos no Flickr do “Projeto 8”:  

  http://www.flickr.com/photos/projeto8/

  Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.

Narração – Aquela do Cartola

22/02/2010

Fiz um vídeo com narração do meu conto “Aquela do cartola”, a sequência de imagem ficou brega, mas espero agradar.

Este artigo foi feito por Paulo Carvalho.